Bate-papo no PAF I da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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25 de mar de 2012

Ao (re) nascimento de uma doutora

(Por Michel Yakini) "Ontem fiquei orgulhoso de ser quem sou, de nascer onde nasci, de ter os amigos e amigas que a vida me presenteou. Ontem tive vontade de chorar, de chorar de raiva por nossa presença ainda estar silenciada nas vassouras e xícaras da universidade, chorar de alegria por me reconhecer no prestígio de uma doutora aprovada com todos os méritos nas cadeiras ainda injustas da academia, chorar no choro dessa menina-mulher que sempre sonhou em ser doutora, onde a maioria das jovens da sua vizinhança brincam com seus filhos precoces no colo. Ontem me senti vitorioso por ver a força e a preparação de uma mulher que falava como referência, com talento, com profissionalismo, mas emanava em seu respiro o amor e a seriedade por aquilo que faz e representa. Ontem aquela que é conhecida como uma das maiores universidades do mundo, se curvou pra celebrar uma jovem negra nascida e criada no bairro do Jaraguá, periferia de São Paulo. Curvou-se pra coroar um doutoramento pouco comum por ali, mas nada podia evitar esse merecido apogeu. Hoje as periferias do Brasil acordaram sorrindo, e muitos nem sabem porque, poucos estavam lá pra conferir, mas esse motivo de brinde, já era! É nosso e ninguém tira. Hoje o bairro do Jaraguá, usurpado e estuprado por suas riquezas há mais de 400 anos, que tem o privilégio de conviver com uma herança indígena viva e precária em meio a sua bela netureza, pode soltar um grito de vitória. Hoje é dia de subir no ponto mais alto daquele pico magistral e gritar que temos orgulho de sermos vizinhos, amigos e familiares de uma mulher que carrega quilombo no nome, é dia de bradar bem alto pra cidade inteira ouvir e saber que temos uma doutora entre nós. Uma doutora sem pompa de carpete, que caminha pelas ladeiras, caleja no asfalto, e trás como armadura as páginas do conhecimento. Uma doutora que afaga o concreto com sua semente de sabedoria, rasgando pedras com as raízes de uma arvore que dá frutos maduros e sombra aos seus semelhantes. E por mais que ela não assuma ou não goste de ser vista além de uma reconhecida pesquisadora, ela é, sem dúvida, uma referência positiva para nós, alguém que contribui pra que a periferia caminhe e vingue dias melhores sem sair do seu lugar, do nosso lugar. Hoje é dia de cantar parabéns pra gente! Cantar parabéns pra você! De fazer festa e batucada no fundo de cada quintal por sua/nossa conquista, DRA. ÉRICA PEÇANHA DO (re)NASCIMENTO, aprovada ontem (23/03/2012) com a tese "É Tudo Nosso! Produção Cultural na Periferia Paulistana" pela Universidade de São Paulo (USP)."
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