Bate-papo no PAF I da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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16 de mar de 2012

Paixão pelo futebol força mulher somali ao refúgio em Djibouti

CAMPO DE REFUGIADOS DE ALI ADDEH, Djibouti, 15 de março (ACNUR) – "Maymun Muhyadine Mohamed adorava correr e jogar futebol nas ruas de Mogadíscio. Suas habilidades lhe renderam uma medalha e um boné em uma competição local. Mas a milícia somali Al Shabaab viu sua diversão como um ato de desobediência. "Eles disseram 'as mulheres não devem praticar esportes. Você tem que parar de jogar e vestir sua hijab (vestimenta islâmica que cobre o rosto da mulher),'" diz Maymun, recontando sua história no Campo de Refugiados Ali Addeh em Djibouti. Não era como se Maymun fosse anti-islâmica. Ela vestia as roupas islâmicas quando não estava jogando futebol. Era apenas que, quando estava correndo e driblando no campo de futebol, suas longas vestimentas a impediam de se mover. Disseram a ela que se continuasse a praticar esportes, seria executada. No ano passado, os militantes ordenaram o marido de Maymun para controlá-la. Mas Abdi Abu Bakar, 23 anos, viu a alegria que sua esposa com a prática do futebol. Ele respondeu aos militantes que deveriam cuidar de suas próprias vidas. E então, como acontece corriqueiramente na Somália, numa noite a casa de Maymun foi atacada e seu marido foi assassinado. "Quando meu marido morreu, eu estava grávida de quatro meses", ela disse. Maymun esperou em Mogadíscio até sua filha, Fahima, nascer antes de decidir escapar. Ela vendeu sua medalha e boné por 30 dólares para conseguir deixar a Somália – isso foi como vender um pedaço de sua alma. Maymun tinha uma escolha: ou fugiria para o Campo de Refugiados em Dadaab no Quênia, ou faria uma longa viagem ao norte, para Djibouti. "Tinham muitas lutas no caminho para Dadaab", ela disse. "Mas a estrada para Djibouti é segura". Ela pegou uma carona em um caminhão com sua bebê, mas 30 dólares não eram suficientes para chegar a fronteira. Ela se encontrou implorando por ajuda e apavorada, pensando no que poderia acontecer com ela e sua filha. Mas havia mais bondade no caminho do que Maymun imaginava. Caminhões cheios de vegetais estavam indo de terras somalis em direção à Djibouti. Os motoristas foram bondosos o suficiente para dar carona a outros sobreviventes de conflitos que tentavam escapar da Somália. Ela atingiu a fronteira com Djibouti e foi surpreendida com outro fenômeno. Muitos daqueles que estavam deixando a Somália tinham planos de cruzar o Mar Vermelho para buscar trabalho no Iêmen e Arábia Saudita. "Éramos em 38 pessoas atravessando a fronteira," ela afirmou, completando que 31 pessoas do grupo optaram por continuar a viagem por barco em direção ao Iêmen. Maymun se recusou a correr o risco com uma travessia tão perigosa. Ela era mãe de um pequeno bebê e havia encontrado algo próximo da normalidade "Fui assistida pelas agências de refugiados desse país (Djibouti)", disse ela. "Não quero morrer no mar". No Campo Ali Addeh, Maymun frequenta a escola primária pelas manhãs e joga futebol com os meninos à tarde. Contrabandistas vieram ao campo, tentando convencer refugiados a fazer a viagem ao Iêmen ou ao Golfo Pérsico com promessas de boas oportunidades de empregos bem pagos como serviçais. Mas Maymun continua recusando. Como a maioria dos refugiados somalis, ela gostaria de se reestabelecer em um terceiro país. Ela quer passar pelo processo legalmente e com segurança. Mas, acima de tudo, ela nunca deseja perder sua alegria de viver.Ela ainda se lembra do dia em que seu marido foi morto e do momento em que teve que vender seus preciosos troféus esportivos para escapar da violência e bombardeio. "Inshallah, se eu ganhar outra medalha ou boné novamente, nunca os venderei", ela diz. "Manterei-os salvos e bem guardados e os mostrarei para minha filha quando ela crescer". Para Maymun, o futuro perfeito não tem relação com conflito, poder ou mesmo segurança financeira. "Eu não quero dinheiro. Não preciso de dinheiro", ela diz. "Só quero ter a chance de continuar jogando futebol e sentir alegrias". Por: Greg Beals e Charlemagne Kekou Akan no Campo de Refugiados Ali Addeh, Djibouti. Por: ACNUR.
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