Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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24 de mar de 2012

Eu e Barbosa

“Certamente, a criatura mais injustiçada na história do futebol brasileiro. Era um goleiro magistral. Fazia milagres, desviando de mão trocada bolas envenenadas. O gol de Ghiggia, na final da Copa de 50, caiu-lhe como uma maldição. E quanto mais vejo o lance, mais o absolvo. Aquele jogo o Brasil perdeu na véspera.” (Armando Nogueira) Eu acredito em goleiros negros! Não partilho o pressuposto de que negros sejam confiáveis para isso e não para aquilo. Por exemplo: muita gente acha que negro pode ser contratado para cuidar de cachorros (passear, dar banho, fazer comida, cortar o pelo, pintar as unhas), mas não pode ser o veterinário escolhido, caso o cachorro adoeça. Essa mesma gente destacou a negritude do Pitta quando do aparecimento e comprovação de suas falcatruas. “Nunca mais votariam em negros”, afirmaram. Entretanto, não ouvi ninguém atribuir à branquitude do Collor, a responsabilidade por seus desmandos e crimes. Obviamente, ninguém afirmou que deixaria de votar em brancos. Eu acredito em goleiros negros! Barbosa, o goleiro negro da Copa de 50 que, segundo declaração pública de Chico Anysio, o levou a desconfiar (da capacidade) de jogadores negros para segurar o rojão daquela posição, morreu pobre e no ostracismo, como a maioria dos jogadores negros de seu tempo (e de outros tempos). Mas, acima de tudo, viveu triste, infeliz e magoado, porque ouviu, diuturnamente, que poderia servir para cuidar de cachorros, mas não como veterinário.
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