Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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17 de mar de 2008

Adolesceu sob a magia de Michael Jackson e agora atura os requebros e urros de Rick Martin

Dia desses um leitor me encheu de alegria, disse que “minha literatura tem um quê de encanto antigo”. Olhos sagazes e elogios charmosos tem o querido leitor. Gosto de brincar com o tempo, por enquanto nos damos bem e para meu próprio bem, tomara que seja amizade para a vida toda. Longa, segundo os oráculos. Às vezes, em conflitos geracionais, aviso, “mais do que uma mulher mais velha sou uma mulher antiga, gosto de coisas que os mais velhos do que eu gostam”. E não é por ter convivido com velhos não, caso freqüente em gente parecida comigo, é coisa de afinação da corda íntima, de afinidade com o que me precedeu. De bom gosto também, modéstia às favas: já ouviu Elizete, Dorival, Maysa, Ataulfo, Gonzagão, Jackson, Moreira, Nora, Alaíde, Dolores? Há pouca renovação artística de qualidade, músicos que foram jovens nos anos 60 continuam sendo ídolos de meninas e meninos que ainda não completaram 20. Você que é entendido em música pop me diga, o que aconteceu de novo depois de Michael Jackson? Nada. Os ídolos do pop dos últimos 45 anos imitam os passos inventados por Michael, desde os 5, nos Jackson Five. Eu vi os Jackson Five, imitava os passinhos deles, imunizada por eles, os Menudos nunca me atingiram. Só sei quem é Rick Martin porque a TV me bombardeia e entre um zap e outro há um mega-show desse mega-ridículo. Eu assisti a Seleção de 82, época de Júnior, Toninho Cerezo, Sócrates, Falcão. O Raí, herói de hoje, é um tipão, grande atleta, jogador dedicado e competente, mas genial foi o irmão dele. Eu ouvi o Olodum de Madagascar, das numerosas manifestações contra o apartheid, ah pelourinho, pelourinho, negras verdades e letras ingênuas, com erros históricos abissais, mas quem se preocupava com a História? Detalhe sem importância diante do solavanco de amor próprio que o Olodum nos dava. Para a gente do Sudeste então, à exceção dos cariocas, donos de uma identidade negra também poderosa, o som negro da Bahia era uma coisa mítica, quase uma divindade. Por falar nisso, outro dia, em um show, o Chico César introduziu a participação de Elza Soares chamando-a de “a diva, a divina Elza Soares”. Muito bem. Ao fim da apresentação, artistas e público muito emocionados, o diretor musical, excelente músico, segue a onda do Chico, mas toma um caldo da linguagem e apresenta a diva assim: “no centro do palco, a divindade Elza Soares”. O que não faz uma palavra mal empregada, a Elza empenhada em transpirar vida e o cara quer mandá-la para o Orum antes da hora. Voltando à Bahia, do Ilê nem falo, porque o mais belo dos belos continua a sê-lo. O povo novo tem Ivete, por favor, me dêem Elizete, Elizete, Elizete, e não pensem que é uma questão de rima.
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