Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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6 de mar de 2008

Comemoração

Sexta-feira, lua cheia. Ela já telefonou para o maridão e se certificou de que hoje não haverá futebol com os amigos. Nem cervejada. Dá um pulinho de felicidade. Diz que ele terá uma surpresa. Prepara a casa. Arranja umas flores. Troca o forro do sofá. Tira o velho com manchas de baba dele. Borrifa bom ar em todos os cantos. Deixa a comida predileta dele semicozida. Um mês de casados. Eles merecem aquela festinha particular. Não pode faltar cerveja, bem gelada. Porque se ele comer de cara, depois dorme e aí morreu Maria Preá. Só acorda no dia seguinte. Ai, aquele friozinho gostoso. Depois do amor, jantar e dormir agarradinha nele. Recapitulando: ele chega, ela pula no pescoço dele, não pergunta a data porque ele não vai lembrar mesmo. Avisa que completavam um mês de casados aquele dia. O marido faz um ar de surpresa para disfarçar a falta de importância do tema. Ela o conduz até o sofá, sugere que tire os sapatos enquanto busca uma bebida e azeitonas. Ele se senta, tira o tênis de chulé e liga a TV. Ela leva o de comer e de beber, faz uma cara sensual-enigmática e pede para que espere um pouco. O tempo de preparar a surpresa. Ela é a própria surpresa. Entra no quarto, desembrulha a roupa, veste. Bate o queixo. Está frio mesmo. Mas para tudo tem solução. Crê que ele ficará doidão e pulará em cima dela. O calor deles espantará o frio. Calcinha e sutian de renda preta, unidos por uma liga, tipo suspensório. Uma tela bem furadinha no ventre. Um lenço de seda preta no rosto. Meia calça transparente, vermelha. E o sapato de salto quinze. Esse não pode faltar. A personagem mescla uma dançarina de can-can, e outra, de dança do ventre. Arremata com perfume e vai pra calçada. Chega à porta do quarto e o chama. “Benhêeee!” Desmancha-se em sorrisos e gestos pretensamente tímidos de donzela à espera do garanhão. Ele olha na direção dela, distraído, volta à TV por um instante, olha-a novamente e diz: “Tá doida menina, desse jeito cê vai constipá. Vai logo vestir uma roupa”. Ela chora, desconsolada. Não tinha plano B. (Do livro novo: "Você me deixe, viu? Eu vou bater meu tambor! Ilustração: Lia Maria)
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