Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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21 de jul de 2008

Alguma poesia

Tinha fome de poesia, olhava o mundo e não havia. Então fui aos poetas. Primeiro Bandeira, de quem nunca lera um livro, apenas poemas esparsos. Li dois, logo: “Libertinagem” e “Estrela da manhã”. Depois Drummond, companheiro de viagem desde a infância, quando o conheci cronista, “Sentimento do mundo”. Drummond é “tudo”! Eu diria, caso fosse moderninha. Não sei o que dizer de Bandeira, que não me emociona assim. Peço ajuda ao poeta de Itabira, aquele que disse tanto sobre todas as coisas: “Esse incessante morrer/que nos teus versos encontro/é tua vida, poeta,/e por ele te comunicas/com o mundo em que te esvais” ( “Ode no cinqüentenário do poeta brasileiro”). Depois Vinícius, “Para viver um grande amor”. Há mais de vinte anos não lia um livro inteiro de Vinícius. Lendo-o, mais madura, compreendi porque um dia João Cabral vaticinou: não fosse a dedicação à música popular, Vinícius seria o maior poeta de língua escrita do Brasil. Não foram exatamente estas as palavras, principalmente o “língua escrita”, mas este era o sentido. No meu coração ele não disputaria espaço com Drummond, Quintana e Edimilson, mas oh poetinha danado pra escrever bem e surpreender a gente com a poesia das coisas, aquela que meus olhos me privaram de ver, nos dias de triunfo da tristeza. Escrever bem é dever de ofício de quem se pretende escritor, lembraria Raimundo Carrero. Desculpem a imprecisão conceitual, mas vocês entenderam o que quis dizer. Escritor que quer dizer, não diz nada, o que está escrito, está dito. Ai, meu Deus, sinuca de bico, crueza da razão. Um drible de Garrincha, então, pra aliviar e encantar os olhos: “A um passo de Didi, Garrincha avança/Colado o couro aos pés, o olhar atento/Dribla um, dribla dois, depois descansa/Como a medir o lance do momento./Vem-lhe o pressentimento; ele se lança/Mais rápido que o próprio pensamento/Dribla mais um, mais dois; a bola trança/Feliz, entre seus pés – um pé-de-vento!/Num só transporte a multidão contrita/Em ato de morte se levanta e grita/Seu uníssono canto de esperança./Garrincha, o anjo, escuta e atende: __ Goooool!/É pura imagem: um G que chuta um o/Dentro da meta, um l. É pura dança!” (Vinícius de Moraes, “O anjo das pernas tortas”).
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