Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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10 de jul de 2008

O problema do poblema

Circulam por um canto e outro da Web, textos-base sobre ser goiano, gaúcho, baiano, mineiro, etc. O receituário mineiro sempre provoca em mim umas risadas, porque em algumas coisas, a gente é daquele jeito mesmo, por exemplo, no negócio de cumprimentar as pessoas dizendo “ei” e não o convencional “oi”. Gente de BH é mestre nisso, mulheres de BH, para ser precisa, porque homem, nunca vi falar assim. É um cumprimento de gênero. Não tenho a mais remota idéia da origem, mas são nítidos os traços de sedução da saudação. Um “ei” curto, assim como quem intercepta o ar depois do i, é coisa cotidiana, sem maior relevo, principalmente seguido de um “tá boa”. Pode-se até dobrar o i e a inofensividade do cumprimento se mantém – “eii, tá boa?”. Mas de um “ei” longo – “eiiiiiii” -, desconfie, preste atenção, pode ser um “ei” com quê de possibilidades. Os textos falam do frugal, da peculiaridade leve, e é bom que seja assim, deixem que a crítica interna a gente mesma faz. Talvez até ficasse deselegante se uma pessoa de fora das Alterosas destacasse um vício nosso de linguagem, encontrável em todas as classes sociais, em todos os níveis de escolaridade, até em locutores de rádio, principalmente de programas policiais, quiçá de TV, o impronunciável verbo “estrupar”. Sim, com um R entre o T e o U. Não vou me delongar porque o ato contido na palavra é por demais ignóbil, não comporta brincadeiras ou trocadilhos como o “poblema.” Sim, sem o R entre o P e o O. Gente de todas as idades, de muitas letras, saberes e até livros publicados, fala “poblema”, sem pestanejar, e não vê problema nisso. E a luta para convencer uma pessoa “poblemática” a seguir a norma e contentar-se em ser problemática, apenas, como qualquer mortal? Não bastasse o problema da essência, tem o problema da palavra. Talvez se fosse criado um macete como aquele do jeito, aprendido na adolescência: “não há jeito de escrever jeito com G”. Podíamos lançar um concurso, aliás, está lançado. Quem tiver solução criativa para o problema do “poblema”, se habilite.
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