Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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11 de jul de 2008

Olhares afrocontemporâneos, em Brasília, até 24 de agosto

AS EXPOSIÇÕES. “Cidade Visível”, Marcelo Reis. "Trata-se de uma mostra inédita reunindo fotografias de uma das mais importantes manifestações populares do país, cujo início foi antes da abolição em fins do século XIX: a festa da comunidade negra no Recôncavo da Bahia, na cidade de Saubara. Esta manifestação centenária marca o episódio em que negros já lutavam por alforrias e as origens do movimento popular em prol da independência da Bahia (que se dá no mesmo período), ganhando, o próprio Estado, sua “alforria”. O evento, que foi ímpar no Brasil da pré-abolição, ocorre nos 4 (quatro) domingos de julho (mês da independência da Bahia). Segundo a jornalista e curadora Silvia Nonata,“...a leitura imagética que Marcelo Reis faz dos “Caretas de Saubara” também o transforma. Como autor, constrói sua narrativa em cima de um acontecimento, mas o faz numa atmosfera onírica. Os ângulos escolhidos nos mostram em muitas imagens uma cidade praticamente vazia, habitada quase somente pelos caretas, que ora aparecem em bandos, ora nos olham sozinhos.Marcelo Reis transcende o caráter factual e nos leva a uma instância simbólica rica de significações. Neste jogo sem fim, ao contemplarmos suas imagens, também acabamos transformados por elas..” No que se refere à estrutura da exposição, são imagens em que o referente fotográfico salta aos olhos no mais puro naturalismo. Isso pode ser visto na escolha da luz, nos planos abertos, na profundidade de campo, nas cenas tomadas por flagrante. Reis estrutura fotograficamente sua matéria-prima, a realidade do acontecimento. “Os Espíritos na Terra”, Luis Alcalá del Olmo. As fotografias apresentadas nesta exposição estruturam-se em 6 (seis) séries correspondentes às peregrinações do ano litúrgico: Erzulie Freda, Barón Samedi, Ogoun Ferraillé, Souvenance, Ganthier y Ra Rá, às quais, sinteticamente, são: Erzulie Freda - Deusa Vodu do amor e da beleza, identificada com Nossa Senhora do Carmo. Reside em Saut d'Eau (Artibonite), onde uma imensa cascata se esconde em plena selva tropical junto à igreja de Nossa Senhora do Carmo construída em 1849, após a aparição da Virgem, na copa de uma palmeira. Ogoun Ferraillé - Deus Vodu da guerra e se identifica com “Santiago, o Grande”, cuja festa é celebrada na Lagoa de Santiago na região da Planície do Norte, onde se encontra uma igreja com uma grande imagem de Santiago à cavalo, em atitude guerreira. Souvenance- É um “lakou se encontra perto da vila de Gonalves e é um dos centros de culto ao Vodu mais famosos do Haiti. A peregrinação que ocorre sexta-feira santa, sábado de Aleluia e domingo de Ressurreição. Ganthier - Vilarejo, perto da capital, onde está o “calvário dos milagres”,montanha com pequena capela e três cruzes. Sexta-feira santa os fiéis se dirigem ao local, rezam com braços levantados, lamentam e gritam de angústia, esperando conseguir o milagres como: achar trabalho, curar doença, espantar azar e outras súplicas. Ra Rá - Bandas de música e dança que, durante a Quaresma, perambulam, cantando e dançando pelos campos e subúrbio das cidades. Em cada banda, há hierarquia social e na formação, organização tipo militar. Barón Samedi - Cabeça da grande família dos Gédé, os deuses dos mortos, encarregados de velar pelas tumbas e os cemitérios. Os fiéis vão ao cemitério, além de perambular pelas ruas e mercados vestidos de preto, branco e violeta, com a cara pintada de branco. Como afirma o crítico Jean Claude Fignolé, 'a lente de Alcala objetiva fez mais do que ver. Poetiza a realidade através da magia de uma estranha cumplicidade escalonada em graus de simpatia, que deixa abolida a distância entre curiosidade e conivência. As imagens falam. Contam. Significam. Concretizam-se nos rostos por uma adequação entre a arte e a realidade, emoções sempre próximas ao êxtase. A alegria se veste de voluptuosidade e se sublima com força imaterial. Cada emoção captada, reproduzida em sua essência, se parece curiosamente à expressão dada pela câmera; se objetiva, se torna sensação paralisada em diferentes posturas para a eternidade'".
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