Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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18 de nov de 2008

Documentário do 16° Festival MixBrasil narra história da travesti mineira Tomba-Homem

(Do Mix UOL, por: Sebah Rinaldi). "A figura de Tomba-Homem é essencial para entender um pouco da boemia e da identidade LGBT de Minas. Trata-se de uma travesti carioca que, no ano de 1975, mudou-se para BH, onde ficou amiga de personalidades como Hilda Furacão e Cintura-Fina (ambas retratadas no livro e seriado "Hilda Furacão"). Tanto no Rio quanto na capital mineira, Tomba (como era conhecida) ganhou a vida se prostituindo e teve muitos problemas com a Polícia. Inclusive, o apelido foi dado por causa de sua valentia, já que não abaixava a cabeça para ninguém. Diferente de figuras também importantes, como Madame Satã, que têm filmes de ficção como registro, Tomba-Homem acaba de ganhar um documentário homônimo, feito em formato de média-metragem pelas mãos do produtor mineiro Gibi Cardoso. O trabalho faz parte do 16° Festival MixBrasil de Cinema da Diversidade Sexual que, em 2008, passa por São Paulo (12 a 23 de novembro) e Belo Horizonte (8 a 14 de dezembro). Tomba-Homem era uma personalidade fervidíssima do meio gay mineiro e, como todo marginal que se preze, está às margens de todos os valores convencionais. Negra, travesti, soropositivo e siliconada. O filme sobre sua vida não contou com nenhum subsídio, foi feito à melhor maneira do "do it yoursellf". "Empresa alguma topou atrelar sua imagem a de uma travesti que aprontou muita confusão em Belo Horizonte, nos tempos de boemia da Lagoinha e do Bonfim", disse o diretor Gibi. O diretor, que trabalha como produtor do cineasta e fotógrafo Cao Guimarães desde 1999, custou a concluir o trabalho. Segundo ele, o grande problema foi encontrar a personagem, pois ninguém sabia muito ao certo seu paradeiro. "Em 2004, um garçom me disse que a Tomba está viva e morava aqui, no bairro Bonfim. Três dias depois, eu a encontrei. Ela estava na Rua Jaguarão, na casa de uma senhora que foi cafetina dela durante 27 anos", conta Gibi. No entanto, em 2006, Cardoso a perdeu de vista, pois essa mesma casa fora demolida. Ao retornar ao bairro, outras travestis especularam o paradeiro de Tomba: ela estaria em João Monlevade, Uberlândia ou Araxá. "Com aquilo, percebi que havia perdido Tomba-Homem. Quase desisti do filme", explica Gibi. Pouco tempo depois, durante a produção de outro filme de Cao Guimarães, com externas em Araxá, Gibi aproveitou a deixa pra procurá-la. "Fui a um bordel com essa intenção. Tomei uma cerveja, procurei, procurei, mas ninguém conhecia. Na saída, uma travesti até muito engraçadinha me disse seu paradeiro", revela. Ela está na Casa do Bom Samaritano, abrigo para soropositivos, onde luta contra o vírus HIV e não deixa a peteca cair. E é justamente esse reencontro que sela a filmagem do documentário. O diretor percebeu que seria naquele instante ou nunca mais. Tomba está com 73 anos e ainda possui lucidez em tudo que faz. O documentário a expõe em momentos íntimos na casa de repouso onde se encontra. Durante as narrativas, fala sobre a época em que aprontou todas em BH, confusão com a Polícia, os tempos em que fazia vida e respondia pelo nome de guerra Carmélia Rogers, sexo, seu amor por malandros, habilidade com facas, sua fama de valente, enfim, muito assunto compactado em 42 minutos. "Tive problemas com a minha chegada. Já fui logo conhecendo a Polícia e a Polícia me conhecendo. Esse tipo de coisa me perseguia", diz no filme. Mesmo idosa, ela ainda sonha com a cirurgia de readequação sexual. As filmagens revelam uma Tomba vaidosa, ora com unhas feitas, ora arrumando um vestido de lurex. Detalhe: não confundi-la com Maria Tomba-Homem, mulher capixaba de valentia equivalente, que viveu no Rio de Janeiro e em época diferente. Ambas chegaram a se conhecer e isso é apontado no trabalho de Gibi Cardoso. "Eu sou a Tomba-Homem, não tem nada de Mulher", salienta a personagem no documentário. Desde que saiu do papel, "Tomba-Homem" está ganhando espaço em festivais de cinema underground, como o Cine OP (Ouro Preto), Indie (BH), Fórum Doc (BH), 13ª Mostra Etnográfica (Rio de Janeiro) e, é claro, o 16° Festival MixBrasil de Cinema da Diversidade Sexual (Sampa, Rio e BH). Em bate-papo com o Mix, Cardoso se diz a favor de toda forma de compartilhamento do seu trabalho. "Exijo apenas uma coisa: que pirateiem o meu filme. Deixe o amigo copiar, passe pra frente, arrume uma forma de prostituir o filme", diverte-se". http://mixbrasil.uol.com.br/mp/upload/noticia/3_53_69660.shtml
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