Sobre os bilhetes de ódio enviados ao blogue

Um filme da programação do II Encontro de Cinema Negro Brasil, África, América Latina, “Roble de Olor”, do cubano Rigoberto Lopez, encantou-me sobremaneira. É uma história de amor entre uma mulher negra haitiana e um comerciante alemão que escandaliza a ilha escravista de Cuba da primeira metade do século XIX, e constrói uma fazenda de café, na qual se implementa um projeto de liberdade e valorização humana. Uma das coisas que o casal faz é contratar o maestro da cidade, um homem negro, para formar uma orquestra de escravos. Ele faz duas exigências: oito jovens talentosos, escolhidos por ele, o maestro, e liberação destes em tempo integral, para estudar música. O casal concorda. Transcorre o filme. Quando Úrsula D’Alambert, a heroína hatiana, é levada ao tribunal, acusada de bruxaria e satanismo, o inquisidor, digo, o promotor, usa o exemplo da orquestra de escravos como possessão satânica, pois, era impossível que negros fossem músicos e tocassem violinos, cravos, violas e cellos. A defesa vê ali a possibilidade de robustecer sua intervenção em favor de Úrsula e consegue autorização do juiz para que a orquestra se apresente no tribunal. O maestro negro vai até a fazenda para buscá-la e, no meio do caminho de volta é emboscado por um grupo, liderado por outro negro, que sob ameaça de armas os faz tocar. O capitão do mato enlouquece com o que houve e mata os músicos, um a um, gritando “eles são músicos, eles são músicos” e seu peito deve ribombar, “eu vendi minha alma, eu vendi minha alma”. Depois que ele mata a todos e joga instrumentos no rio, é acometido por outro surto, porque a música da orquestra de negros, a beleza da música tocada pelos negros estoura-lhe os tímpanos. E ele se mata, observado pelos capangas. ("Revoada para Barack", imagem de Iléa Ferraz)
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