Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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19 de nov de 2008

Sobre os bilhetes de ódio enviados ao blogue

Um filme da programação do II Encontro de Cinema Negro Brasil, África, América Latina, “Roble de Olor”, do cubano Rigoberto Lopez, encantou-me sobremaneira. É uma história de amor entre uma mulher negra haitiana e um comerciante alemão que escandaliza a ilha escravista de Cuba da primeira metade do século XIX, e constrói uma fazenda de café, na qual se implementa um projeto de liberdade e valorização humana. Uma das coisas que o casal faz é contratar o maestro da cidade, um homem negro, para formar uma orquestra de escravos. Ele faz duas exigências: oito jovens talentosos, escolhidos por ele, o maestro, e liberação destes em tempo integral, para estudar música. O casal concorda. Transcorre o filme. Quando Úrsula D’Alambert, a heroína hatiana, é levada ao tribunal, acusada de bruxaria e satanismo, o inquisidor, digo, o promotor, usa o exemplo da orquestra de escravos como possessão satânica, pois, era impossível que negros fossem músicos e tocassem violinos, cravos, violas e cellos. A defesa vê ali a possibilidade de robustecer sua intervenção em favor de Úrsula e consegue autorização do juiz para que a orquestra se apresente no tribunal. O maestro negro vai até a fazenda para buscá-la e, no meio do caminho de volta é emboscado por um grupo, liderado por outro negro, que sob ameaça de armas os faz tocar. O capitão do mato enlouquece com o que houve e mata os músicos, um a um, gritando “eles são músicos, eles são músicos” e seu peito deve ribombar, “eu vendi minha alma, eu vendi minha alma”. Depois que ele mata a todos e joga instrumentos no rio, é acometido por outro surto, porque a música da orquestra de negros, a beleza da música tocada pelos negros estoura-lhe os tímpanos. E ele se mata, observado pelos capangas. ("Revoada para Barack", imagem de Iléa Ferraz)
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