Lançamento: O MAR DE MANU

Lançamento: O MAR DE MANU
O mar de Manu, terceiro livro para todas as idades, de Cidinha da Silva, é um conto pleno de poesia e imagens. São pequenas histórias de sabedoria narradas no fluxo de um dia e uma noite vividos por Manu. A gente de Minas Gerais, assim como Manu, menino oriundo de algum lugar entre o Mali, o Níger e o Burkina Faso, precisa inventar o mar. As características geográficas desses lugares levam seus moradores a produzir metáforas sem água para representar o infinito. É o que faz Manu, personagem que aprendeu a sonhar com a mãe. Cidinha da Silva, desta feita em um texto curto, prossegue no caminho da escritura em linguagem simples e direta que dialoga com as instâncias mais sensíveis do leitor. O mar de Manu é a primeira publicação da Kuanza Produções, uma editora dedicada à formação do leitor literário e à ampliação do espaço editorial para as africanidades no Brasil.

Lançamento 2: OH, MARGEM! REINVENTA OS RIOS!

Lançamento 2: OH, MARGEM! REINVENTA OS RIOS!
Reencontro de Cidinha da Silva com o universo da crônica.

08/01/2012

Galanga coroa o rei Maurício Tizumba

Finalizando minhas férias em BH, assisti "Galanga - Chico Rei!" Um espetáculo belo, cuja inovação é a linguagem banto-mineira das congadas, dos reinos de congo, encenada todo o tempo, ainda que com algumas interferências iorubá deslocadas. A maior parte dos atores não é tão robusta quanto a peça merecia, mas a parte musical é impecável. Tem a assinatura virtuosa de Titane estampada em cada nota. A preparação corporal também é excelente e tudo isso compensa parte das atuações menos fortes no campo da dramaturgia. A direção de João das Neves é segura, como sempre. O texto tem os problemas de sempre, também, embora não se deva dizê-lo, haja vista que Paulo César Pinheiro é um boi sagrado. Que gosto muito, aliás, mas não posso deixar de observar o cansativo culto à mestiçagem e à mulatice impregnados em sua obra. Para citar apenas três deslizes, Chico Rei casa-se com Domingas, uma "mulata sestrosa"; os portugueses buscavam minerais preciosos e "escravos" no Congo e, por fim, os escravizados em África, resultantes de um sistema de cativos completamente diferente do escravismo colonial que visava o lucro e a exploração humana à exaustão, são postos no mesmo balaio, como a fazer justiça com os brancos que, assim, não teriam escravizado os africanos sozinhos. Ah... me faça uma garapa! Ainda, para quem acha que "buscar escravos" em África é algo inofensivo, avisamos que caçava-se gente livre que passava a ser escravizada. Mas, aqui estou para falar das coisas boas. Recomendo o espetáculo, gostei muito, fiquei muitíssimo emocionada. O cenário é simples e lindo, econômico, de bom gosto. A música coroa o trabalho de um rei, Maurício Tizumba, que rege soberanamente a cena. Gosto disso, um artista que aos quase 40 anos de carreira monta um espetáculo que coroa sua vida dedicada à arte. Não espero menos de 40 anos de arte cênica e musical, também de ativismo artístico-cultural. Galanga coloca na cabeça de Tizumba, a merecida coroa de rei banto de BH e balança as estruturas dessa cidade com um espetáculo negro, inscrito na melhor tradição dos artistas negros dessa terra. Merecemos Galanga, Maurício Tizumba e Titane. Ngunzo!

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