Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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21 de jan de 2012

Homem-aranha negro!

(Deu na olha de São Paulo, há algum tempo, por Marco Aurélio Canônico). "A conhecida figura de um rapaz com uniforme de aranha balançando com sua teia pelos prédios de Nova York estará novamente nas bancas e livrarias dos EUA hoje, nas páginas de um gibi inédito. Mas, quando o Homem-Aranha tirar sua máscara no primeiro exemplar de "Ultimate Comics Spider-Man", os leitores não verão o rosto familiar de Peter Parker, e sim o do desconhecido Miles Morales, um garoto negro e de ascendência hispânica. Parker morreu em uma HQ de junho --que, assim como a que traz seu sucessor, só chega ao Brasil em meados de 2012--, mas mais comentada do que a sua morte foi a notícia de que seu substituto seria negro. Não é a primeira vez que um super-herói troca de cor, mas isso nunca havia acontecido, da forma permanente que se anuncia agora, com um protagonista tão destacado. "Quando decidimos que o Homem-Aranha morreria, discutimos muitas opções para substituí-lo e sentimos que era importante que o novo personagem refletisse a nova cara dos EUA", disse à Folha Mark Paniccia, editor da HQ. Paniccia se refere não apenas à vasta população de imigrantes e seus filhos (leitores que nunca se viram representados entre os maiores super-heróis, todos brancos) mas à eleição de Barack Obama, prestes a se confirmar quando o novo Aranha estava sendo pensado. Axel Alonso, editor-chefe da Marvel --a maior editora da quadrinhos do mundo, que publica o Aranha e foi comprada pela Disney em 2009--, foi mais explícito em entrevista a um site de HQs. "O presidente tem origem mista, eu próprio tenho origem mista. Minha mãe é inglesa, meu pai, mexicano. É o mundo em que vivemos." Saudada por boa parte da imprensa e pela porção multiétnica dos EUA, a mudança de pele do Homem-Aranha, 49 anos após sua origem, trouxe também três tipos de reação contrária logo após seu anúncio pela Marvel, no mês passado. Os fãs, geralmente refratários a qualquer alteração em personagens queridos, chiaram logo na internet. A eles seguiram-se os racistas, com comentários preconceituosos em blogs e redes sociais. Por fim, o tema acabou sendo visto sob a lente do polarizado e turbulento debate político dos EUA. Opositores de Barack Obama (que já havia aparecido em uma HQ do Aranha em 2009) e porta-vozes da direita, como o radialista Glenn Beck, reclamaram. "Ele parece com o presidente Obama", disse Beck em seu programa, no qual também associou a criação do novo herói a uma frase da primeira-dama, Michelle, em outro contexto ("Nós teremos de mudar nossas tradições"). "Isso é escapismo. Queremos entreter nossos leitores tanto quanto qualquer outra mídia", disse o editor da nova HQ, Mark Paniccia, à Folha. "Não podemos estar sempre preocupados com a política. O que importa é contar uma boa história." A partir de hoje, a saga de origem do novo Aranha começa a ser narrada --Miles Morales exibiu o rosto brevemente numa HQ no mês passado, mas pouco se sabe sobre sua vida e seus poderes. É claro que na bilionária indústria dos quadrinhos (cujos personagens se desdobram em cinema, TV, videogames e produtos licenciados) ninguém rasga dinheiro, ou seja: mudanças radicais vão até um certo ponto. Peter Parker continuará vivo e usando o uniforme do Aranha numa linha de HQs que seguirá sendo publicada paralelamente à "Ultimate", nos EUA e no Brasil. "O que normalmente ocorre nesses casos é um enorme burburinho provocado pela mudança para, depois, voltar tudo ao que era antes", diz Paulo Ramos, professor da Universidade Federal de São Paulo e especialista em HQs. "De todo modo, há casos em que, apesar de toda a estratégia editorial envolvida, conseguem-se histórias interessantes. A 'morte' do Super-Homem, na década de 1990, foi um caso assim."
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