Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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11 de jan de 2012

Galanga: a coroa banto de Maurício Tizumba

O espetáculo "Galanga - Chico Rei" continua ecoando em mim. Há muito não assistia algo que me emocionasse tanto. É um trabalho montado para uma ator-cantor-dançarino-compositor contar uma história, mostrar todo o seu talento e técnica artística, brilhar: Maurício Tizumba, a saber. Quando Tiziumba fez o primeiro solo de canto e dança com guizos nas canelas, foi meu bisavô quem veio, saído da Marujada do Rio Preto, no Serro. E eu que sempre olhei o congado de viés por conta daquela profusão de salves à Maria, pai nosso e salve-rainha, baixei a guarda e a maré dos olhos vazou. E fiquei assim por muito tempo, observavando a graça do bailarino Tizumba e pensando a quantos a inveja deveria atacar. Tizumba é respeitado por muitos setores de Belo Horizonte, mas uns tantos o julgam caricato, "primitivo", em contraposição aos "pós-modernos". E Tizumba segue tranquilo, com seus tambores, seu canto, seu passo de bailarino leve, seu espaço, seu território - o Tambor Mineiro. Tenho respeito enorme por quem contrói espaços físicos para abrigar a arte. É o que Tizumba fez, oferecendo um território negro a Belo Horizonte-negra de estampa branca. Tizumba se aproxima dos 40 anos de carreira. Eu me encho de orgulho ao vê-lo, ao ouvi-lo, ao testemunhar sua congragração a partir da tradição que o sutenta e à qual ele alimenta, diuturnamente. De dentro da montanha mais quilombola do Curral del Rey, dobro meus joelhos para assistir Galanga entregar a Tizumba, a merecida coroa de rei banto de BH.
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