Este é o blogue de Cidinha da Silva, prosadora. Aqui há referências sobre sua produção literária e ensaística. Seja bem vindo (a)!
Lançamento: O MAR DE MANU
O mar de Manu, terceiro livro para todas as idades, de Cidinha da Silva, é um conto pleno de poesia e imagens. São pequenas histórias de sabedoria narradas no fluxo de um dia e uma noite vividos por Manu. A gente de Minas Gerais, assim como Manu, menino oriundo de algum lugar entre o Mali, o Níger e o Burkina Faso, precisa inventar o mar. As características geográficas desses lugares levam seus moradores a produzir metáforas sem água para representar o infinito. É o que faz Manu, personagem que aprendeu a sonhar com a mãe. Cidinha da Silva, desta feita em um texto curto, prossegue no caminho da escritura em linguagem simples e direta que dialoga com as instâncias mais sensíveis do leitor. O mar de Manu é a primeira publicação da Kuanza Produções, uma editora dedicada à formação do leitor literário e à ampliação do espaço editorial para as africanidades no Brasil.
Lançamento 2: OH, MARGEM! REINVENTA OS RIOS!
Reencontro de Cidinha da Silva com o universo da crônica.
Cidinha da Silva mergulha na prosa mais uma vez e traz uma história que nos encharca de poesia ao nos contar sobre o Sereal, “reino das sereias, próximo à pororoca, onde se misturam olhos apascentados pelo rio e outros famintos de mar”. Cheio de imaginação, musicalidade, situações engraçadas e a segurança de quem sabe onde vai chegar, este novo livro da autora é um presente à inteligência dos leitores. A história nos fala sobre os amigos Kuami, um elefantinho, e Janaína, uma pequena sereia, que percorrem águas, florestas e também os céus, vivendo numerosas aventuras, na procura por Dara, a mãe de Kuami, aprisionada por fazendeiros. No caminho de sua busca, acabam ensinando muitas coisas a seus leitores, entre as quais o valor da amizade, a força da perserverança e também o amor que pode vencer muitas barreiras. Mas isso não quer dizer que se trata de uma estória carrancuda ou cheia de “lições de moral”. Não! Pelo contrário, cortada todo o tempo por um humor refinado, que cria situações engraçadas mesmo nos momentos de maior tensão, a história flui e acompanhamos com crescente interesse a procura da mãe do pequeno, mas destemido e amoroso elefantinho.Trata-se, assim, de uma narrativa que será lida com prazer tanto por gente grande como pelos pequeninos, pois se a fantasia e o suspense, sem dúvida, cativarão os jovens leitores e farão com que leiam a história quase sem parar, os adultos encontrarão uma prosa bem elaborada que os deliciará com os achados de linguagem, com a ironia e a sólida construção de personagens. Ao tecer os fios do maravilhoso - tingidos de africanidade -, com os traços de uma realidade brasileira geralmente deixada à margem, Cidinha da Silva, neste seu livro, nos leva também à reflexão sobre um Brasil que todos precisamos conhecer. É assim que a música negra brasileira – inclusive o funk de periferia que faz até elefantes voarem -, a nossa paisagem e os saberes tradicionais de nossa gente, mas, sobretudo, a dura realidade do que ocorre nos rincões do país, comparecem no texto a partir de uma focalização poética, mas nem por isso menos comprometida. Dessa forma, ganha sentido pleno a última frase de Kuami: “vale a pena iluminar a vida.” Acrescentaríamos que, por tudo isso, “vale a pena ler Cidinha da Silva”. Tania Macedo – Professora de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa – USP.
OS NOVE PENTES D'ÁFRICA
Em " Os nove pentes d'África", estréia de Cidinha da Silva na cena literária juvenil, tradição e contemporaneidade tecem um bordado de poesia e surpresa na tela de uma família negra brasileira. Os pentes herdados pelos nove netos de Francisco Ayrá são a pedra de toque para abordar a pulsão de vida presente nas experiências das personagens e rituais cotidianos da narrativa.
A orelha do Pentes!
"Cidinha da Silva é uma amiga minha que escreve como quem trança ou destrança cabelos e nos presenteia com pentes presentes cheios de passado que nos ajudam a destrinçar o futuro. Seus pentes são pontes de compreensão entre o que somos nós negros brasileiros agora, nossos avós recentes e os tais ancestrais africanos. E pontes entre nós e nossos filhos e sobrinhos, os que vêm depois de nós. Compreensão aqui que eu digo é aquele entendimento afetuoso, apaixonado até e cheio de compaixão no sentido de gratidão pelo que se é. Pelo que nós somos: família, solidariedade e contradição na difícil tarefa de encontrarmos, cada um, nosso papel de levar adiante a história coletiva e ao mesmo tempo afirmar o traço intransferivelmente pessoal do indivíduo. Estar com a mãe e nascer, ser da famíla e ir embora, constituir a sua própria (que ainda é a mesma). É aí que mora o penteado: saber qual é o pente que te penteia. Para os mais jovens, a quem se destina a princípio este livro, mas também para os nem tão jovens assim são generosas as pistas sopradas ao nosso ouvido por essa contadora de história. Escutadora atenta, agora vem a griot nos atentar doce e profundamente. Vem aqui nos alentar deschavando nós e nos ajudando a achar laços nesse desconchavado mundo. Vem reforçar nossas ligações básicas, comunitárias, domésticas. É tão certeiro e tão bem-vindo esse livro que lê-lo me encheu de orgulho e admiração. Pelo tema e pela forma. Sei que os próximos leitores de "Pentes" sentir-se-ão gratos a Cidinha da Silva, como eu". (Chico César, compositor).
CADA TRIDENTE EM SEU LUGAR E OUTRAS CRÔNICAS
Cada tridente em seu lugar & outras crônicas, estréia literária de Cidinha da Silva, arguta investigadora das questões sócio-culturais de nosso tempo, esconde em suas franjas núcleos grávidos de especulações estéticas e ideológicas. Bem aproveitados, esses núcleos resultam em perturbadoras narrativas, abertas à discussão sobre o multiculturalismo da sociedade brasileira e às experimentações que tornam pertinente a criação literária. Cidinha da Silva, conhecedora das circunstâncias e agentes que nos fundaram, tece uma linguagem que não hesita em alimentar-se de suas próprias contradições e daquelas geradas pela nossa sociedade. Ao assumir essa linguagem, a autora nos ensina a estar com outros brasileiros – móveis, fluentes, dignos, humanos –, até então exilados das grandes idéias que moldam este país. Vislumbro uma instigante ficcionista pedindo passagem em sua escrita: seria possível deixá-la falar com plena liberdade? Ela não precisa lutar com a historiadora mas, certamente, precisa de mais espaço. Edimilson de Almeida Pereira - escritor
VOCÊ ME DEIXE, VIU? EU VOU BATER MEU TAMBOR!
" Você me deixe, viu? eu vou bater meu tambor!” (Mazza Edições, Belo Horizonte, 2008) é uma publicação zelosa em que se pode a cada página perceber o esmero: prefaciado pela professora doutora Maria Nazareth Soares Fonseca, professora de Literatura da PUC Minas, apresentado, na orelha, pelo cineasta Jeferson De, e ilustrado sob a pena da artista Lia Maria, o livro é timbrado pela leveza, ironia requintada e sonoridade, fazendo-nos nos lembrar, vez por outra, a sonoridade de alguns poetas africanos. Estruturado em um conjunto de 26 textos, entre crônicas e mini-contos, Você me deixe, viu? eu vou bater meu tambor! é o segundo livro de literatura da escritora que brinda os(as) leitores com recursos literários sutis, mas nem por isso menos sofisticados. O eixo ordenador do livro gira em torno das afetividades, da sexualidade, do amor, do corpo, e é construído a partir das relações perturbadoras entre mulheres e homens, subvertidas criativamente pelos infindáveis modos de vida que se tecem no universo cotidiano de cada um(a). Relações aplacadas, inacabadas, conflituosas, são esquadrinhadas por Cidinha, que mais uma vez nos oferece a possibilidade de nos (re)visitar a partir da arquitetura que constrói as moradias efêmeras do outro, espelhadas em cada leitor(a). (por Rosane Borges)
AÇÕES AFIRMATIVAS EM EDUCAÇÃO: EXPERIÊNCIAS BRASILEIRAS (3A EDIÇÃO)
O livro busca aprofundar o debate sobre as ações afirmativas e apresentar programas que visam garantir o acesso, a permanência e o êxito de negros nas universidades, possibilitando a realização do sonho de jovens que vivem processos estruturais de exclusão. A obra reúne uma coletânea de artigos assinados por oito autores/as que, sob diferentes ângulos, fazem um ensaio crítico sobre o tema das ações afirmativas tendo como fio comum o compromisso teórico e político de encontrar caminhos para a erradicação das desigualdades raciais. Os/as autores/as discutem as metodologias de seleção de pessoas negras nesses projetos; falam da África e da Afro-Ascendência na perspectiva da cultura construída pela matriz banto, que deu uma das mais significativas contribuições culturais para o Brasil. Ações Afirmativas em Educação – Experiências Brasileiras relata experiências concretas, construídas com base no diagnóstico da situação de estudantes negros/as na educação e no conhecimento dos estigmas que marcam a relação estudante negro/escola/professor. Também são abordados o tratamento desigual e a indigência cultural e educacional a que estão expostos os segmentos empobrecidos da população. Desse diagnóstico resulta a formulação de procedimentos que podem ser apropriados por educadores e gestores públicos interessados no avanço da implantação das ações afirmativas para afro-descendentes no Brasil Finalmente, são considerados os principais aspectos da discussão sobre as cotas para negros, especialmente o falso dilema sobre quem é negro no Brasil. Segundo os autores e autoras, quando se trata de garantir direitos, a pessoa negra se desvanece na decantada miscigenação racial brasileira.
Quero dizer que por serem leves e acessíveis talvez elas [as crônicas] comuniquem mais do que um estudo intencional a visão humana do homem na sua vida de todo o dia. (Antonio Candido) "Cidinha da Silva desponta na Literatura Afro-brasileira com a publicação de Cada tridente em seu lugar, já em segunda edição. Sua estética aproxima-se da proposta dos novos escritores afro-brasileiros – Edimilson de Almeida, Salgado Maranhão, Ronald Augusto, dentre outros – que prezam pela conexão com a causa negra, mas não abdicam do caráter artístico, ponto fundamental quando se trata da literatura. Embora seu trabalho com as letras a diferencie dos antecessores por eleger a prosa e não a poesia como proposta literária, a semelhança com a nova geração dos escritores comprometidos com a negritude torna-se inevitável. Essa analogia é possível pelo fato de Cidinha da Silva possuir uma vinculação com a afro-brasilidade, bem como com outras questões sociais, mas, sobretudo porque seu posicionamento não abafa a literariedade que se verifica de forma bastante rica na tessitura de seus textos".
Artigos e ensaios sobre a obra de Cidinha da Silva
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