Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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27 de nov de 2013

A Roda Gigante e o motor da casa grande


Por Cidinha da Silva

A FIFA ao recusar Lázaro Ramos para sortear os grupos da Copa disse ao Brasil e ao mundo que pretinhos como ele devem tratar de ser bons de bola e ter destaque dentro das quatro linhas. Esse é o lugar reservado aos homens negros.

Ao recusar Camila Pitanga para a mesma função, vocifera aos quatro cantos do universo empresarial da bola que lugar de mulher negra é azarando jogador, prestando-lhes serviços sexuais ou no máximo vendendo a imagem de Globeleza.

Em uma das salas da casa grande, outra atriz negra da novela Lado a lado, surpreende a gente altiva ao apresentar-se como pregoeira de um conjunto de bundas e pernas negras naturais (hiper malhadas) ou siliconadas: glúteos, vasto lateral, bíceps da coxa, trato iliotibial. Acém. Cupim. Músculo. Coxão Duro. Paleta. E não se sabe que parte da imagem é mais triste e deprimente, a carne de segunda e seu corte de costas ou o Filé Mignon disfarçado, maquiado, bem vestido, de sorriso angelical e dengoso a serviço do leilão de mulheres no mercado dos corpos.

Mas Camila e Lázaro batem um bolão, driblam a FIFA e ganham o prêmio Emmy com a novela Lado a lado. Superaram outra adversária poderosa, a novela das nove de maior audiência nos últimos anos, Avenida Brasil. Que vitória!

Os autores da novela das seis, de maneira inaugural na teledramaturgia tupiniquim, rasgaram, dilaceraram, escancararam os privilégios dos brancos brasileiros alicerçados na exploração reiterada e arraigada dos negros ao longo de séculos e foram premiados, a novela foi considerada “a melhor do mundo.”

Ê... volta do mundo camará! Alegria e tristeza alternam lugares na Roda Gigante e o motor da casa grande funciona a pleno vapor.
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