Bate-papo na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, dia 14 de maio de 2017

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1 de jan de 2015

A posse da Presidenta reeleita



Gostei do discurso da Presidenta reeleita no Congresso. Longo e detalhado (não achei generalista como avaliou o pessoal da Globo). Gosto da maneira que se apresentou como "encarnação das mulheres guerreiras do Brasil" - Dilma é corajosa e enfrentou a linha tênue que divide o messianismo e certa perspectiva espiritualizada. A mim pareceu que ela conseguiu encarnar a segunda. A meu juízo houve muita emoção e personalidade no discurso, não é qualquer pessoa que consegue falar de dores e fragilidades (com dignidade, sem pieguice) no momento de assumir pela segunda vez o principal posto político de uma nação - opinião também contrária aos jornalistas-partidários da Globonews que, unanimemente acharam que faltou emoção. Devem ter sentido falta das bravatas do Aécio, aquele que ilude o povo acrítico ao materializar a figura do redentor dos fracos e oprimidos que serão (a depender dele) eternamente fracos e oprimidos. Gostei do forte abraço trocado com o Presidente Lula, solenemente ignorado pelos comentaristas.
Disseram que o discurso foi defensivo... talvez, mas Dilma e seu governo estão sob ataque e precisam, sim, se defender. Dilma não é como Aécio que utilizou a estratégia de fingir que o aeroporto de Cláudio não existia, os problemas existem e ela os está enfrentando. Dilma defendeu a Petrobrás e deu detalhes do processo, aliás, foi o tema mais detido de seu discurso.
Gosto dos detalhes, da forma como ela diz de maneira direta ou menos direta, "quem manda aqui sou eu", quando repetiu ao ajudante de ordens que não era necessário o púlpito para seu discurso (até que ele entendesse, pois, mesmo sendo a Presidenta da República, os homens costumam não ouvir as mulheres) e quando ela mesma colocou a faixa presidencial.
Michelle Bachelet cantando o hino nacional brasileiro foi qualquer coisa de inusitado. Não fiz leitura labial, mas ela parecia saber mesmo a letra.
No mais, o de sempre: as pessoas negras citadas como grupo a ser protegido pelas políticas de governo sem associação com o racismo e a discriminação racial que as deixa em posição vulnerável; a ausência escandalosa de autoridades negras, convidados negros, etc; a presença de poucas mulheres na condição de autoridades, em número bem próximo daquelas que ostentam a condição de acompanhantes mais novas de chefes de estado mais velhos, digamos; as autoridades africanas ignoradas, não-nominadas, nem mesmo os países representados; uma ministra negra em meio a 39 ministros empossados e, obviamente, titular da pasta que aglutina as questões dos negros (geradas pelo racismo e pela discriminação racial). Vida que segue. Vamos ao dia 02 de janeiro.
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