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18 de jan de 2017

Cidinha da Silva e a crônica como ato de nomear


Por *Saulo Dourado

"No livro #Parem de nos matar! (Ijumaa, 2016), de Cidinha da Silva, há dados e evidências quanto às mortes físicas e simbólicas de toda uma população, mas a autora captura um ponto ainda mais alto: dá nome e forma a esses números. Com os valores absolutos se consegue convencer a razão daquilo que deve importar, contudo às vezes é difícil sentir a partir de termos gerais ou pelo hábito das repetições. Deve entrar então o particular e o miúdo para conectarem fatos às tripas e ao pranto. A crônica tem um papel fundamental, o de tornar especial uma pessoa e um acontecimento a ponto de formar o elo de sentimento entre o particular e o todo. Eis o gênero literário que é a pequena área, a área e o meio-de-campo de Cidinha da Silva, e o mote que ela alcança.

Tratam-se assim seus textos de Maria Julia Coutinho, de Taís Araújo, de Lázaro Ramos, de Mirian França, de Antônio Pompêo, de Luiza Bairros, de Aranha, de Claudia da Silva Ferreira, de Lívia Natália, de Liniker... Em uma crônica sobre a postagem de Fernanda Lima que elogia as empregadas domésticas como “batalhadoras”, há uma pergunta pontual da autora: “E por que não pôs os nomes dessas mulheres?” Esta reivindicação percorre o livro: a de tirar a mortalha do anonimato e da despersonificação, causas e efeitos da continuidade de um genocídio".

*Saulo Dourado, escritor. Autor de O mar e seus descontentes, entre outros


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