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19 de jan de 2017

Juntamos nossos cacos e fizemos um lindo mosaico


Se para a crônica, em seu flerte com a notícia, cabe o que excede ao fato, o detalhe desprezado, nós somos o detalhe, a senda que puxa a reflexão de Cidinha Da Silva sobre as várias mortes que nos impingem. Como a mesma nos diz: “Estamos como sempre estivemos: por nossa própria conta”, então estejamos certos de que “por nós, é nós”. 
O livro #PAREM de nos matar é nosso, é por nós, traz uma reflexão em dor e cor dos principais temas que nos afligem, escurece a análise para iluminar nosso racismo íntimo, apesar de estranhamente negado. Os rolezinhos, os linchamentos, o #Somos todos Maju, a Minissérie O sexo e as negas, Mr. Brau x Michele e a força do símbolo de um casal negro, o Empoderamento crespo e seu diálogo entre as pequenas e as coroas contemporâneas, a festa da sobrevivência no braço e no riso do carnaval de Salvador, o caso Holiday e os negros de direita, as chacinas nossas de todos os dias dos 12 do Cabula ou dos 111 tiros do Morro da Lagartixa e mortos do Carandiru são alguns dos frutos que brotam das terras áridas aguadas por nossa autora nesta obra.
Em sua poética afiada e doce, escura e precisa, Cidinha nos diz que nossas vidas importam, repete em vários momentos que somos 82 mortos todos os dias no Brasil, fazendo os números dizerem, doerem, remoerem nossa humanidade. Ela nos futuca para a consciência das mortes físicas, simbólicas, subjetivas, afetivas, as mortes de todos os dias, o que fortalece nossa certeza de que somos gente, ainda que o racismo diga o contrário.
As pessoas do meu ninho sabem que minha família convive com mutilação imposta a outras 82 famílias todos os dias, mas tentamos fazer, assim como essa obra de Cidinha, dos nossos cacos um lindo mosaico.
Obrigada pela obra e pelo convite para comentar um livro que me olha e me enxerga. Em minha sala de aula, ele será enxada para arar um mundo melhor.
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