Cidinha da Silva no Suplemento Pernambuco

CORRENTEZA

Quando ela quer
Quer com a força de uma queda d’água
Incontestável, indomável, irresistível
Mergulho
No abismo de água doce
E um vazio com gosto de mel
Toma conta de tudo
[Cidinha da Silva]

"a literatura de cidinha da silva aborda diversos aspectos da orixalidade no brasil. em seu poema, a água é um espaço de inauguração do mundo: o lugar que seu poema cria é a água. me aproximo dele para me lembrar da água como o começo do mundo, assim como Oxum, relacionada aos começos da vida, Orixá (uma tradução ancestral pra “deusa”) da água doce. o mergulho nesse abismo de água doce que parece forjado pela força incoercível do querer dela, força de cachoeira, traz um vazio melífluo onipresente. Oxum também é reconhecida como uma Orixá extremamente cuidadora, “toma conta de tudo”, mas a forma com que o poema se inicia declarando sua força de queda d’água sugere um deslocamento inicial das noções coloniais (con)sagradas que atrelam feminino a cuidado e a delicadeza. é nítida a referência que conjuga entrega (aos reinos de Oxum) e cuidado, doce como mel, outro dos elementos que ela rege y/ou representa, além das águas doces. essa coexistência de doçura e força também é um furo nos sistemas interpretativos coloniais binaristas que atribuem às subjetividades negras femininas o lugar incessante da dureza".


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