Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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23 de ago de 2008

Um pouco do novo romance de Fátima Oliveira

A Mazza Edições e Fátima Oliveira receberão pessoas amigas, amantes da literatura e a imprensa, na celebração por mais um romance da autora, dia 25 de agosto, às 19:00, no aconchego do restaurante Cozinha de Minas (Rua Gonçalves Dia, 45 - Funcionários - Belo Horizonte - MG) Mais informações: Mazza Edições www.mazzaedicoes.com.br edmazza@hotmail.com ou edmazza@uai.com.br Fone/fax: (55-31) 3481-0591. "Reencontros na travessia: a tradição das carpideiras conta uma história de amor. De Cacá e Pablo. E nela, muitas outras histórias de amor serão desvendadas, tendo como lastro a vida da Tia Lali, uma carpideira sertaneja que, nas palavras de Cacá, foi “uma das mulheres mais interessantes que conheci em minha vida. Negra, pobre e solteirona por opção, tia Lali não foi enterrada, foi plantada. E a força de sua fé fertilizará este chão”. Através do amor de Cacá e Pablo, vislumbraremos a história de inúmeras mulheres anônimas que, desde tempos imemoriais, têm como missão reverenciar os mortos, por meio de louvores dos cantos chamados de incelências (orações cantadas nas sentinelas) no sertão brasileiro. Longe de serem beatas encurvadas pelo peso da idéia do pecado, são mulheres por inteiro. Livres. Ouça uma das personagens do livro, a carpideira Socorrinha: “Mas não pense que a mulherzada vive assim sem um consolo. Não pode! Ninguém agüenta. A carne pede. Ou tem um homem que todo mundo sabe, ou tem um homem ou uma mulher incubada. Sem responder ao que o corpo pede, é que não se fica. Isso eu te garanto. Carinho faz parte da vida”. A palavra carpideira é derivada do verbo carpir, do latim carpere (arrancar cabelos e barbas em sinal de dor). As carpideiras portam o dom de carpir, presente na cultura de diferentes povos, em todo o mundo, pois carpir é um ritual antiqüíssimo de encomendar o corpo de quem morreu para que sua alma ascenda aos céus. É um rito de passagem do mundo terreno para a eternidade. Não é encenação e nem choro falso. Ser carpideira é um dom, o de chorar e de cantar incelências para encomendar almas para o outro mundo, pois a morte para as carpideiras também integra a visão filosófica de que, sendo a vida uma travessia, a morte também é parte da travessia, já que viver é sempre um estar indo"... “Orelhas” do livro Reencontros na travessia: a tradição das carpideiras, pela autora: "Eu sou uma eterna apaixonada pelo sertão. Em Grande Sertão: Veredas, obra magistral de Guimarães Rosa, há uma chave simbólica que nos impregna da realidade de que o Brasil são muitos e as disparidades regionais em muito definem o cotidiano feminino, já que, para ele, o sertão é “ora é particular, pequeno e próximo; ora universal e infinito, pois o sertão é o mundo”. Ou, melhor ainda, “o sertão é dentro da gente”. A minha paixão pelo sertão permite que o sertão viva em mim. E eu o carrego, sempre. Onde estou, está o sertão. Nascida no médio sertão maranhense, em Graça Aranha – em sua origem Baixão dos Priquitos (periquitos?), que à época em que nasci (1953) se chamava Palestina, povoado do município de São Domingos do Maranhão – Reencontros na travessia: a tradição das carpideiras, de algum modo, é uma ode ao sertão, pois é ambientado em Grotões dos Bezerras – cidade imaginária, que pode ser qualquer lugar no sertão –, com sua gente simples, seus sistemas de moralidades, baseados na lei da reciprocidade; suas parteiras; suas fés que se agigantam no romance, provocando alumbramento por intermédio das benzedeiras, rezadeiras, tiradeiras de benditos e de ladainha em latim, e também cantadeiras de incelências; e suas festas memoráveis, nas quais a comida faz parte dos rituais festivos. Sem falar que a “comida do sertão” encerra um patrimônio cultural de valor incomensurável, com suas receitas seculares, as do cotidiano e as de festas – as chamadas refeições fidalgas, de banquetes. Ao contar a história do amor de Cacá e Pablo, sinto que “tirei” um bendito, cantei uma incelência, enfim imaginei uma deferência às “mulheres rosianas” do mundo – mulheres sábias que reconhecem os meandros das “neblinas de Siruiz” e nos mostram que o direito de decidir sobre o próprio corpo, como um direito democrático, e o direito ao prazer são inerentes à natureza, à cotidianidade e à intimidade das mulheres, desde sempre. “Se alembre”, isto é o sertão! Saiba: no sertão é assim. A minha paixão pelo sertão, esse “desertão” que vive em meu peito, que conforta e acaricia o meu viver – que, no dizer de rosiólogos, “é uma paisagem mental. É o pensamento sobre o Brasil. O sertão é aquela região selvagem onde se formam as nossas idéias” –, pariu Reencontros na travessia: a tradição das carpideiras". Fátima Oliveira, médica, feminista, escreve uma coluna semanal no Jornal O Tempo (Belo Horizonte, MG), desde 3 de abril de 2002. É autora das seguintes obras: Engenharia genética: o sétimo dia da criação (Moderna, 1995, atualizada em 2004); Bioética: uma face da cidadania (Moderna, 1997, atualizada em 2004); Oficinas Mulher Negra e Saúde (Mazza Edições, 1998); Transgênicos: o direito de saber e a liberdade de escolher (Mazza Edições, 2000); O estado da arte da Reprodução Humana Assistida em 2002 e Clonagem e manipulação genética humana: mitos, realidade, perspectivas e delírios (CNDM/MJ, 2002); Saúde da população Negra, Brasil 2001 (OMS-OPS, 2002); e do romance A hora do Angelus (Mazza Edições, 2005)".
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