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18 de abr de 2017

A Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras - AMNB, sim, tem prerrogativas para falar em nome das mulheres negras


NOTA PÚBLICA DA ARTICULAÇÃO DE ORGANIZAÇÕES DE MULHERES NEGRAS BRASILEIRAS - AMNB
Essa é mais uma manifestação de indignação dentre as dezenas de mulheres negras que reagiram e vem reagindo a uma afirmação descabida, fora de lugar, subalternizada da Ministra de Direitos Humanos, Desembargadora Luislinda Valois. As mulheres negras estão por sua própria conta, portanto, não necessitam de interlocutora. Nossa voz é nossa força e a senhora não pode usá-la em vão, muito menos para legitimar um falsário e fazer o papel pior, que é de defendê-lo, numa conjuntura e numa situação indefensável; portanto.
Nós, Mulheres da Articulação Nacional de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras – AMNB, que marchamos em 2015 e seguimos em Marcha Contra o Racismo, à Violência e Pelo Bem Viver, vimos a público repudiar a fala da “Ministra dos Direitos Humanos”, Desembargadora Luislinda Valois, que em discurso designou Michel Temer o papel de “O Padrinho das Mulheres Negras”.
Informamos que esta Sra. não representa as Mulheres Negras Brasileiras, que vivem suas vidas com altivez, dignidade e respeito, mesmo nas situações mais adversas, ao contrário do deplorável espetáculo promovido no último dia 12 de abril de 2017, em cerimônia no Palácio do Planalto, Brasília – DF, numa postura de lamentável subserviência, servilismo e bajulação.
Nós não reconhecemos esse governo espúrio, usurpador, composto de velhacos/velhacas, com alto grau de periculosidade para o conjunto da população brasileira, em especial as mulheres e homens negros;
Esse governo de costas para a população e braços abertos para o mercado financeiro e sua elite econômica, adepto da política neoliberal e entreguista, que promove a perda dos direitos econômicos, sociais, culturais e políticos da população, aprofunda as desigualdades sociais, privatiza as nossas empresas publicas, promove o desemprego desenfreado, e diminui salários;
Esse governo que congela os recursos da saúde e educação retirando qualquer possibilidade de futuro para nós e nossos filhas e filhos;
Esse governo que quer impedir que nós , mulheres negras, possamos acessar a proteção social para as nossas velhices, resultado de nosso trabalho e do pagamento de nossos impostos, que é a nossa aposentadoria, para privatizar a Previdência Social e enriquecer os empresários do setor de previdência privada;
Esse governo que quer acabar, através da reforma trabalhista, com direitos adquiridos constitucionalmente, promovendo a precarização do trabalho, para enriquecimento dos empresários do setor;
O pranto da Sra. Desembargadora Luislinda Valois faria sentido se lamentasse a perda de direitos e os corpos negros esparramados pelo chão, vitimas do racismo e pela ação do Estado e seu aparato policial.
Mas seu choro, segundo suas palavras, expressa agradecimento ao “grande protetor” e revela indignidade, servilismo, rastejamento e subserviência diante daquele que favorece o assassinato de mulheres negras que tombam impunes em todo o país vitimas do racismo, do sexismo, do LGBTfobismo, enfim, das violências raciais.
ESTAMOS HÁ SÉCULOS EM LUTA!
DESCOLONIZAMOS NOSSAS MENTES E CORPOS!
SEGUIMOS EM MARCHA PORQUE
NOSSOS PASSOS VÊM DE MUITO LONGE!
NÃO PACTUAMOS COM APADRINHAMENTOS POLITICOS NEM COM CLIENTELISMO!
NÃO EM NOSSO NOME!
NÃO AO RACISMO, AO SEXISMO E A LGBTFOBIA!
NÃO A VIOLÊNCIA E PELO BEM VIVER!
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