Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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2 de abr de 2017

Sobre a morte de Maria Eduarda Alves da Conceição

"ELA MORREU DE UNIFORME"

Texto coletivo de
Mães e Pais pela Escola Pública RJ

Os estudantes das redes municipal e estadual do Rio de Janeiro sofrem constantemente com a suspensão das aulas devido a tiroteios. Muitos de nós, seus familiares, conhecemos o drama constante de buscar os filhos correndo nas escolas no meio da tarde, receber no trabalho telefonemas apavorados dos profissionais da educação avisando sobre operações policiais. Nossos filhos e filhas, desde a educação infantil, passam pela experiência de permanecer horas deitados no chão das salas de aulas e corredores esperando o cessar fogo. Somos refugiadas e refugiados em nossa própria cidade.

No dia 29 de março recebemos com imensa tristeza e desespero a notícia da morte de Maria Eduarda Alves da Conceição, aluna da escola municipal Daniel Piza, na Fazenda Botafogo. A frase de sua mãe, Rosilene Alves Ferreira, resume nosso horror: "Ela morreu de uniforme". Ela poderia ser nossa filha. Duda não foi a primeira e, se nada for feito, não será a última criança a morrer dentro de uma escola nesta cidade. Não queremos muros blindados, até porque o trajeto até a escola não tem muros. Queremos que o poder público reconheça o valor de nossas vidas. As vidas de nossos filhos e filhas importam. Suas mortes não são efeitos colaterais do combate ao crime. São tragédias anunciadas, sempre atingindo os mais pobres, quase sempre crianças negras. São vidas e sonhos que se perdem pra sempre.

Como disse seu professor de educação física, incentivador de sua dedicação ao basquete: "do que adiantou eu ajudar ela a sonhar?" São famílias despedaçadas. Não somos lixo e exigimos direitos.

A violência do tiro é antecedida por muitas outras violências invisíveis : saúde e educação públicas precárias, faltá de saneamento, habitação, emprego, transporte público. Queremos respeito e igualdade. Não aceitamos que o aprendizado e o cotidiano de nossos filhos e filhas sejam ameaçados por uma guerra que não é nossa. O Estado tem de assumir a responsabilidade de preservar vidas. A ação de seus agentes não pode se equiparar aos que atuam à margem da lei. Nenhuma ação de combate ao crime que ameace a vida de estudantes em suas escolas é justificável.

Exigimos, portanto, o FIM DAS OPERAÇÕES POLICIAIS EM HORÁRIO ESCOLAR. É pela vida de nossos filhos e filhas. É por todos nós.

Maria Eduarda: não te esqueceremos. Abraçamos seus pais. Que esse abraço alcance todas as famílias vítimas da violência do Estado.
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