Bate-papo no PAF I da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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30 de abr de 2013

Eu sou coluna de aço! Se quer passar, arrodeia!



Por Cidinha da Silva

Yeda Castro proclamou feliz e orgulhosa: “Finalmente a Academia conseguiu reunir a elite tradicional branca baiana com a realeza nagô, que se orgulha de ser negra!”

Permito-me discordar, querida professora, diria que, finalmente, a Academia de Letras da Bahia, composta pela elite tradicional branca baiana dobrou os joelhos à realeza nagô, à realeza negra manifesta nos 87 anos da Iyalorixá Stella de Oxóssi! É gesto simbólico, mínimo e forçoso de ampliação do reconhecimento do papel determinante das mãos, pés e ciência africanos na construção do Brasil.

Outro Castro, Ubiratan, sentado em confortável pilão de madeira maciça, escoltado por Bimba e Pastinha, comenta que está tudo bem posto, o novo está nascendo pelo Fogo Grande da Casa de Xangô, regida pela Caçadora, que agora ocupará no Ayê, uma cadeira que foi sua. Bimba, de braços cruzados, assente. Pastinha ginga e com uma mão abraçando o peito e outra acarinhando a barba diz: “É nagô, mas é angoleira.” Bira gargalha gostoso. Bimba meneia a cabeça em negativa, mas sorri da manha de Pastinha. Deus é mais!

“A Caçadora precisa de coragem, pontaria e rotina.” É Bira de novo, dando rumo à prosa. “Silêncio também”, pondera Bimba, “senão espanta a caça”. “É verdade”, acrescenta Pastinha. “Mas a Dona faz barulho, não é?” “Muito”, diz o Bira! “É a coragem se revelando para dizer que é tempo de Iansã ser Iansã, de Xangô ser Xangô, de Oxum ser Oxum, sem vestimentas de batismo católico necessárias em outros tempos”. “Foi certeira”, conclui Bimba.

E Bira retoma a palavra: “todas as homenagens feitas às Iyalorixás Stella de Oxóssi e Beata de Iyemonjá, à Makota Valdina e ao mundo banto que sua ancestralidade carrega, serão pequenas reverências ao matriarcado de origem africana que há séculos oferece sábia sustentação espiritual ao povo brasileiro, de maneira generosa e indistinta. Serão gestos simbólicos de reconhecimento e agradecimento a um legado atemporal e imensurável. São medidas bem-vindas e necessárias, embora insuficientes. Só mesmo a alegria dos filhos novos que nascem em cada casa de àsé, pelas mãos e pela navalha das Iyás, das filhas e netas, para reverenciar a tradição da maneira fundamental que a manterá viva. Okê Arô, Mãe Stella! A Caçadora traz alegria!”
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