Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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7 de mai de 2008

Outros fragmentos do Diário Íntimo de Lima Barreto

“Hoje, pus-me a ler velhos números do’Mercure de France’. Lembro-me bem que os lia antes de escrever o meu primeiro livro. Publiquei-o em 1909. Até hoje nada adiantei. Não tenho editor, não tenho jornais, não tenho nada. O maior desalento me invade. Tenho sinistros pensamentos. Ponho-me a beber; paro. Voltam eles e também um tédio da minha vida doméstica, do meu viver quotidiano e bebo. Uma bebedeira puxa a outra e lá vem a melancolia. Que círculo vicioso! Despeço-me de um por um dos meus sonhos. Já prescindo da glória, mas não queria morrer sem uma viagem à Europa, bem sentimental e intelectual, bem vagabunda e saborosa, como a última refeição de um condenado à morte” (p.20; 20/04/1914). “Noto que estou mudando de gênio. Hoje tive um pavor burro. Estarei indo para a loucura?” (13/07/1914) “Estive no hospício de 18/08/1914 a 13/10/1914”(1914). “De há muito sabia que não podia beber cachaça. Ela me abala, combale, abate todo o organismo, desde os intestinos até a enervação. Já tenho sofrido muito com a teimosia de bebê-la. Preciso deixar inteiramente. No dia 30 de agosto de 1917 eu ia para a cidade quando me senti mal. Tinha levado todo o mês a beber, sobretudo parati. Bebedeira sobre bebedeira, declarada ou não. Comendo pouco e dormindo sabe Deus como. Andei porco, imundo” (p.24; 05/09/1917). “A segunda vez que estive no hospício (foi) de 25 de dezembro de 1919 a 02 de fevereiro de 1920. Trataram-me bem, mas os malucos, meus companheiros, eram perigosos. Demais, eu me imiscuía muito com eles, o que não aconteceu daquela vez que fiquei de parte” (p.25; 1920). Lima Barreto morreria miserável dois anos depois, de um colapso cardíaco (nota do editor).
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