Bate-papo no PAF I da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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7 de mai de 2013

Eu sou vegetariana! Meu Orixá, não!



Por Cidinha da Silva

Ah... assim meu coração não agüenta! Primeiro foi Iyá Stella irradiando luz nos corredores embolorados da Academia Baiana de Letras. Agora, o Povo do Àsé tomando conta da Casa do Povo, em Salvador. Eu queria estar lá para fazer História aos pés daquelas Ebomis todas.

Resposta forte e organizada ao vereador do PV eleito para defender os animais indefesos, segundo declarações próprias. Sem entrar no mérito de porque e para quê os animais são oferecidos aos Orixás que comem à luz do dia e à luz da Lua (não se alimentam dentro do armário, como outros deuses por aí), a pergunta que não quer calar é por que o animal ofertado nas cerimônias de candomblé é o animal que precisa ser protegido.

Eu já vi um boi deitar ao som do canto de oferecimento daquele animal imenso a um Orixá e à festa que viria depois, onde toda a comunidade presente comeria a carne daquela criatura, preparada com muito riso e com muito amor.

Eu ainda não vi Deus dar asa  a cobra, Vereador.  Então o Sr. Junte seu povo e vá fazer projeto de lei para que os abatedouros tratem os animais com dignidade na primeira etapa de transformação deles em alimento. Quem vê um boi ou uma vaca sendo abatido nesses lugares, dificilmente consegue comer carne outra vez. Deixe o Povo do Àsé quieto e confronte a indústria da carne. Coloque seu mandato em risco enfrentando tubarões, cachorros-grandes. Deixe esse exército de beija-flores em paz espalhando mel pelo mundo.

A humanidade foi coletora, depois tornou-se caçadora e carnívora há milhares de anos. Hoje há esse movimento importante de volta às origens coletoras, aos vegetais e frutos, aos crus, com justificativas  diversas, embora haja pouca compreensão de que o osso da fruta é o caroço. O Sr. entende isso Vereador?

Os animais nas Casas de Àsé estão em paz, na paz de Oxalá. Volte seu olhar diligente para os abatedouros, lá existem animais sofrendo.

Criar a harmonia não é apagar as diferenças ensina a tradição africana, é trabalhar com elas. O Sr. tem o direito de defender suas idéias sobre os animais sofredores, mesmo que desfocadas, mas em nome delas, o Sr. não pode entrar na casa de quem quer que seja para dizer como os moradores daquele local devem preparar alimentos e se alimentar.

E lhe digo mais, o Sr. pode ser vegetariano, mas o seu Orixá (se o Sr. tiver um), não é. Se assunte, Vereador!
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