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17 de mai de 2013

Tributo literário a Achebe



Por Ana Alakija
A Africa World Press, uma das maiores editoras afro-americanas incluindo os países africanos localizados no Oriente Médio, está homenageando um dos mais mais grandiosos escritores africanos, Chinua Achebe, que faleceu em março deste ano aos 82 anos de idade.

Através de uma listagem de títulos disponível em seu website, a AWP está orientando e disponibilizando a aquisição de obras sobre esse gigante africano da literatura.

O Tributo a Chinua Achebe, como é chamada a iniciativa, é uma forma de lamentar e ao mesmo tempo celebrar a vida do grande escritor, cujo pensamento e obra tem ancorado a publicação dos livros pela AWP nos últimos trinta anos, conforme informa seu publisher e compatriota do autor, Kassahun Checole.

"Ele serviu de exemplo para nós como um grande mentor não só da sua reconhecida mundialmente habilidade como um contador de histórias, mas também, como um dos pioneiros da publicação africana", disse Checole.

"Foi Achebe que, em sua associação como primeiro editor da Heinemann African Writers Series [série de livros escritos por aficanos publicados pela editora inglesa Heinemann desde 1962, famosa também por publicar o popular W.Somerset Maugham], puxou uma longa lista de jovens escritores africanos, a maioria integrante da galeria de escritores contemporâneos de gabarito internacional que conquistaram seu próprio espaço", complementa.

Os títulos e autores disponíveis nessa primeira edicão da listagem de títulos publicados pela AWP são: Chinua Achebe: Teacher of Light (Professor da Luz), por Tijan M. Sallah & Ngozi Okonjo-Iweala, biografia de Achebe (2003); Achebe's Women (As mulheres de Achebe), por Helen Chukwuma, uma re-visita do retrato de personagens femininas de Achebe (2012); Achebe & the Politics of Representation (Achebe e as Políticas de Representação), por Ode Ogede, análise crítica do romancista e sua obra, redefinindo o conceito de nacionalismo cultural (2010).

Early Achebe (O começo), por Bernth Lindfors – ensaios, contos e romances inovadores de Achebe publicados durante a primeira fase do escritor de longa e distinta carreira literária (1951-1966) - o livro conclui com uma palestra inédita de Achebe intitulado "O Escritor e a Revolução Africana" (2009); Emerging Perspective on Chinua Achebe Vol. I, por Ernest N. Emenyonue e Vol. II, por Emenyonue e Iniobong I.Uko, primeiro trabalho no século 21 de crítica dos escritos ficcionais de Achebe até o fim do século 20 e da sua proposta de estética; e God, Oracles & Divination, a exegese cultural de quatro romances de Chinua Achebe, por Kalu Ogbaa (1992).
A listagem é prefaciada por um texto intitulado Tribute to Chinua Achebe (1930-2013) (Tributo a Chinua Achebe), de autoria do escritor Dr. Toyin Falola, professor de História do Frances Higginbotham Nalle Centennial e da Universidade do Texas em Austin, membro da Historical Society of Nigeria & the Nigerian Academy of Letters (Academia de Letras da Nigéria) e com mais de 30 livros publicados pela AWP.

Em seu texto sobre Achebe, Falola diz que talvez nenhuma outra figura representa o orgulho da Nigéria melhor do que Chinua Achebe. Como escritor, estudioso e ativista, Achebe trouxe à tona tanto a realidade colonial quanto a pós-colonial da Nigéria, através de seus escritos de renome mundial, expondo o mundo para a África de uma forma que ninguém tem acompanhado antes ou depois.

Ele ainda rebate críticas sobre Achebe por seu uso do idioma Inglês em seus escritos, por causa da sua lingua nativa Igbo (Albert Chinualumogu Achebe nasceu em 16 de novembro de 1930, na cidade de Igbo Ogidi, Nigéria Oriental). Falola diz que é preciso enxergar o inglês de Achebe como o de uso em sua terra natal, e não o inglês britânico de colonizadores da Nigéria.

"Ao escrever no seu inglês, Achebe foi capaz de tornar o seu trabalho disponível para um público muito mais amplo, bem como demonstrar plenamente as complexidades da experiência colonial nigeriana", diz Falola.
Um dos mais famosos romances de Achebe e o romance africano mais lido, dentro e fora do continente africano – Things Fall Apart (Quando as coisas desmoranam, 1958) – publicado em mais de 55 idiomas e com mais de 8 milhões de cópias, está em seu pós-quinquagésimo aniversário da publicação assim como o fazer da moderna literatura africana.

Nele, Achebe une o tão antigo ao tão moderno, o conflito imemorial entre o indivíduo e a sociedade, com a queda da graça de Okonkwo (um homem de poder e influência em sua aldeia Igbo) com o "mundo tribal"; e o choque de culturas, com a destruição do mundo de Okonkwo após a chegada de missionários europeus agressivos. Estes dramas individuais perfeitamente harmonizados são informados por uma consciência capaz de englobar ao mesmo tempo a vida da natureza, a história humana, e as misteriosas compulsividades da alma.

O tributo literário a este "vivo" africano tem a intenção de continuar a tradição que Achebe deixou. "O legado de Achebe é duradouro, e marcará para sempre a história e a prática da literatura africana", como assinala Kassahun Checole .

Por: Ana Alakija
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