Bate-papo na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, dia 14 de maio de 2017

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13 de jun de 2013

Fall in love



Por Cidinha da Silva

Precisei me retirar das redes sociais. É que o amor me pegou de jeito e junto com ele a vontade de dizer para o mundo ouvir, aquelas coisas que só fazem sentido no ouvido da amada. 

Sei que a ninguém mais, além de mim, interessam as horas que conto para a chegada dela. A comida que fiz para ela. O dia de amor que tivemos. Os desejos mínimos dela. Mas o amor subverte as certezas da gente e por medo de sucumbir à vitrine devastadora e degustadora da rede, resolvi sair.

Não, não, não tenho estrutura. Outro dia, um homem apaixonado postou foto sorridente ao lado da namorada, 20 anos mais nova, com um bigodinho de glacê. Para que notássemos o glacê, ele avisa que não gosta de bolo de aniversário e seu baby é testemunha. Não! Não! Intimidade é coisa privada, mas o amor é assim exibido mesmo e vai que a tentação me pegue na curva...

Gente graúda, peixe cascudo, quando apaixonado, morde a isca da exposição facebookiana e quer tornar pública sua paixão. Acho que é porque muitos de nós não tivemos adolescência, principalmente como a de hoje, que se estende impunemente aos 30, 35, 40, à vida inteira.

Pode ser também que, mesmo mais maduros, estejamos submersos na falta de ação política da vida pública supermoderna e a exposição da vida íntima, seja a única coisa restante a nos conectar com o mundo.

Talvez queiramos dizer aos quatro ventos que somos diferentes desse pessoal que desenvolve pavor de amar ao primeiro espinho no dedo. Vai ver queremos dizer que esse amor também tem lugar no mundo. Um amor que se joga, que posterga o beijo porque quer olhar nos olhos. Esse amor também quer gritar sua existência e, se o Facebook é o amplificador do momento, a ele! Mas confesso que a mim faltou coragem e recolhi minhas armas. Não queria transformar minha amada em troféu de campeonato da solidão abatida!

Seja lá como for, são deprimentes as relações de amor, ódio e estupidez com o diário virtual das redes sociais. Sou precavida, não sou covarde. Não queria ceder à tentação de dizer ao mundo e a quem me infelicitou: “A roda gira e agora eu sou feliz. Estás a ver?”


E, se pela timeline do malfeitor ou dos coligados, você souber que quem te fez infeliz, hoje rasteja na lama, tanto melhor. Dentre as mil e uma utilidades de recados via rede social, tem a vingativa, também. Não, não! O mais seguro é me deixar fora disso! Adeus Facebook!
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