Racismo no Brasil e afetos correlatos, livro novo de Cidinha da Silva

Racismo no Brasil e afetos correlatos, livro novo de Cidinha da Silva
Racismo no Brasil e Afetos Correlatos (Conversê Edições) é o novo livro com que a escritora Cidinha da Silva brinda os leitores brasileiros neste fim de ano. A obra, com 168 páginas, está dividida em duas partes. A primeira, reúne crônicas, a maioria já publicada no Blog mantido pela autora, e a segunda parte é dedicada a textos opinativos, elaborados, principalmente, a partir da análise de novelas, séries e programas globais. Cidinha da Silva é uma sagaz observadora dos fatos cotidianos da sociedade, mas os filtra pelas lentes da questão racial, o que dá um colorido crítico, mas não excessivamente militante, a cada um dos seus textos, quer as crônicas, quer os opinativos. Neste livro, o sétimo de sua carreira, a fonte para seus escritos são, sobretudo, a televisão - mais propriamente as novelas -, e a internet. Nada escapa aos olhos atentos e críticos da escritora/cronista. Do mendigo-gato que andou provocando comoção nacional à espetacularização em que se transformou a vida; da PEC das domésticas à posição de herói nacional a que o ministro Joaquim Barbosa foi alçado pelo povo (incensado pela mídia); da estética negra inovadora da minissérie televisiva Subúrbia à constatação de que as notícias circulam na internet tão velozmente quanto, cada vez mais, “desacompanhadas da qualidade da compreensão”. Cidinha não apenas capta os fatos como os analisa de uma perspectiva que surpreende e desconcerta, ao dar cunho político, racial, de gênero, aos acontecimentos e narrativas, aparentemente, comuns. Boa parte dos textos opinativos tem por foco novelas exibidas pela Rede Globo. Se não poupa críticas ora à escolha ou interpretação dos atores, ora ao texto (e suas omissões) ou diálogos, a autora também não economiza elogios quando percebe que há razão para fazê-los. De crônica em crônica, de opinião em opinião Cidinha aponta o dedo para a discriminação racial e, principalmente, para a relativização dessa atitude com base no afeto pelo negro que sempre mascarou as relações desiguais na sociedade brasileira. O livro ganhou belíssima capa da artista plástica Renata Felinto, apresentação de Marcos Fabrício Lopes da Silva, poeta e professor de literatura, e orelha do escritor baiano Fábio Mandingo. A mais nova obra de Cidinha da Silva, autora também de Cada tridente em seu lugar, Os nove pentes d’África, Oh Margem! Reinventa os rios e dos infantis O mar de Manu e Kuami.

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19/06/2013

Nada, de novo?

Por Michem Yakini


A Copa, já diz no nome, é pra quem tem copa. Os estádios brasileiros são elitistas desde sempre, tanto que antes, desde o inicio do século XX, tinha um estilo comparado aos atuais desfiles de chapéus-botox nos turfes no Jóquei, foi só o fim da Geral que deixou tudo como antes e tirou uma parte, que eles chamam de “penetras”, da festa. Essa é uma pauta perdida.

Agora nas ruas o caldo tá engrossando, só me surpreende as surpresas: 

A ditadura havia acabado só pra vocês! A polícia é violenta todo dia! A gente tem medo dela, sim. Porque quando querem nos calar, não vem com bala de borracha, é chumbo no lombo, mané. Porque sabem que a gente não tem advogado solidário pra nos defender. Porque sabem que não vai ter celebridade se maquiando com nosso sangue. Pois a gente é a parte que pode sumir.

Como diz um amigo meu: "Jacaré que vacila, vira bolsa de madame". Tô ligeiro, e não me inflamo de emoção, mesmo quando isso me ameaça, pois cinco minutos ouvindo com alegria o coro do “povo” me fez vacilar e ficar de costas pra um grupo de “Carecas Nacionalistas” exigindo seu bolo na democracia, com faixas bem legíveis pedindo “Intervenção Militar, Já!”. Tô ligeiro! Sei bem de quem eles querem o fim e quem eles seduzem pra parceragem. Falta pouco pro Datena, o Willian Bonner e Fátima Bernardes, mais o Boris Casoy colar. O Jabor já pediu desculpas, tá juntão!

Na boa, não caio nessa de levantar slogan: “Verás que um filho teu não foge a luta” e ficar cantando o hino nacional, carregando bandeira de “ordem e progresso”, e dizendo “eu amo minha pátria”. Sou filho da dona Maria Elisa, a merendeira da escola, e foi pra ela que eu expliquei o motivo de estar lá, só pra ela. Depois que a onda passar o foco vem pra gente e é possível que todo ódio acumulado dos coturnos seja descontado nas quebradas mais uma vez. Ou onde vocês acham que eles fazem seus treinamentos e descarregam a fúria contida, pra te proteger?

Pátria? Parece papo de TFP. Tô aqui de imposição, desde os navios, depois nos paus-de-arara e agora pela migalha oferecida pra servir.  A minha mãe é mãe solteira!

Ainda sim, o melhor lugar agora é as ruas!

Ficar na quebrada, mais do que nunca, não vira! Só chega noticia de telejornal bomba e indignação de quem não consegue terminar seu turno até as seis ou chegar a tempo de ver a novela das nove. Então é melhor colar, somar no que nos interessa, mas sem empolgação, saber onde anda. Até porque tem muitos dos nossos lá, na linha de frente.

Mas ficar andando na Vila Olímpia, na Berrini, dá a seguinte sensação: De que a qualquer momento o “povo” vai atravessar a rua, virar uma esquina, e entrar pra dentro dos prédios chiquetosos, no seu “lar doce lar”, e a gente vai ficar mais uma vez esperando o trem sujo da Leopoldina.

Mas já que você acordou de seu sono tranquilo, ganhou o beijo de cinderela, e agora acha legal ser auto intitular “povo”, saiba que pra mim é nada, de novo, cara pálida!

Caminhada atentada, sem tempo pra lagrimar!


Porque se o “povo” conseguir o que quer é certo que eles voltem pros cursos endinheirados das faculdades públicas, pras escritórios engravatados, pros condomínios de luxo, pros pedidos de paz branca na Paulista, pra cara pintada de tucano e pro jantar que está servido. Espero estar enganado,  mas tá com cara, mano véio, que pra gente não dê em nada, de novo!

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