Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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14 de jan de 2008

Haroldo Costa lança mais uma obra sobre o carnaval carioca

(Por Roberta Pennafort, O Estado de São Paulo) "Corria o ano de 1881 quando uma das sociedades carnavalescas que agitavam o Rio, chamada Os Fenianos, saiu às ruas com uma figura de dom Pedro II suja com a 'mancha' do escravagismo. Era uma época em que os foliões brincavam embalados por temas como a defesa da Proclamação da República e a luta pela emancipação feminina. Passado mais de um século, os pleitos são outros, mas a sátira política continua dando o tom do carnaval, conforme mostra, em seu novo livro, o jornalista e pesquisador Haroldo Costa - referência no assunto. Política e Religiões no Carnaval (Irmãos Vitale) será lançado na segunda-feira, no restaurante La Fiorentina, no Rio. Autor de outras seis publicações sobre o carnaval, Costa começa seu relato com as primeiras manifestações do gênero em solo brasileiro, na segunda metade do século 18 - antes, portanto, da chegada da família real ao País, ao contrário do que se apregoa. Passa pela tradição do entrudo, pelo advento dos chamados 'carros de idéia' (antecessores dos carros alegóricos de hoje), e chega às marchinhas, aos sambas-enredo e às escolas. O aparecimento das sociedades carnavalescas, já no fim do século 19, ele mostra, fez com que o carnaval carioca assumisse 'uma forma pessoal', tivesse 'uma cara'. Os sócios desses grupos, fundados por jovens escritores, desfilavam pelas ruas e distribuíam flores e confetes. Logo começaram a se mobilizar por demandas que lhes eram caras: o fim da escravidão, a extinção da monarquia. Suas idéias eram expressas nas músicas que animavam a folia. Em 1889, por exemplo, ano seguinte à assinatura da Lei Áurea, cantou-se: 'Venceu-se, finalmente, a tremenda campanha/ maio, o divino mês, deu-nos a abolição!' Não eram poucas as letras que ironizavam autoridades (neste caso, o Marechal Deodoro da Fonseca): 'Fui ao campo de Santana/ beber água na cascata/ encontrei o Deodoro/ dando beijo na mulata.' Foi no início do século 20, dita o livro, que o gênero 'música de carnaval', de fato, se consolidou. Considerado o primeiro samba já gravado, Pelo Telefone, de Donga, foi o maior sucesso de 1917. Sua primeira versão diz: 'O chefe da folia (chefe da polícia, na adaptação posterior)/ pelo telefone/ manda me avisar/ que com alegria/ não se questione/ para se brincar.' Era uma forma de debochar da determinação da polícia em combater o jogo para agradar à imprensa, que fazia campanha contra a prática, explica Costa. De lá para cá, presidentes (Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek, especialmente), governadores, acontecimentos históricos, tudo foi objeto de chacota. 'A originalidade do nosso carnaval reside exatamente aí. É um campo de provas para as nossas constatações espirituais e necessidades lúdicas', analisa o pesquisador, que também trata da relação entre as religiões (católica e correntes africanas) e o carnaval. 'O carnaval carioca, especialmente através das escolas de samba, é hoje a síntese da nossa nacionalidade. Dá o espelho que reflete o que somos, com as angústias, expectativas, frustrações, anseios, vitórias, enganos e desenganos que compõem o nosso retrato falado', conclui o escritor". Veja o que diz Haroldo Costa sobre a história do carnaval, visite o blogue www.haroldocosta.com.br "Uma coisa eu afirmo: só poderia ou poderá escrever a história do carnaval carioca quem for carnavalesco, quem gostar dos folguedos de Momo, quem envelhecer trepidando com sambas, correndo para ver passar na rua ou mesmo numa distante esquina, ou ainda para acompanhar, um bloco, um rancho, uma escola de samba. Uma pergunta continuamente feita pelos saudosistas, pelos pessimistas – esses terríveis inimigos do carnaval carioca – deve merecer resposta aqui. "Está morrendo o carnaval carioca?", perguntam eles, quando não dão à frase o sentido afirmativo. Não, respondo eu. O carnaval carioca não está morrendo, não morrerá. Claro que ele se modifica; a vida também se tem modificado. Transforma-se, porque o mundo vive em constante transformação. Mas o carnaval carioca não morreu, não morrerá. Este é o mais belo carnaval do mundo".
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