Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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12 de out de 2012

Nós das eleições

Por Cidinha da Silva

A partir de um olhar panorâmico das eleições 2012 para eleger representantes às câmaras municipais e prefeituras, identifico algumas conquistas mínimas, a mais simbólica delas em Salvador.

Dentre os seis vereadores negros eleitos, há dois de direita, uma professora oriunda da Igreja Universal (PRB) e um jurista aberto, senão relativamente progressista (PTB). Quatro são de esquerda, três do PT, vindos do tradicional setor dos sindicatos e um do PSB, Silvio Humberto, a quem conheci no SENUN – Seminário Nacional de Universitários Negros, edição única de 1993. Silvio é doutor em Economia pela UNICAMP, professor concursado em universidade pública, auditor da prefeitura de Salvador, co-fundador do Instituto Cultural Steve Biko, responsável pela preparação de centenas de jovens negros para ingressar nas universidades baianas. É, a meu ver, a grande novidade da política soteropolitana. Não só pelo perfil, mas pelas causas defendidas e propostas apresentadas, amplamente alicerçadas no entendimento da pessoa negra como sujeito de sua própria história.

Dos seis concorrentes à prefeitura da capital baiana, dois eram negros: Márcio Marinho, do PPB e Hamilton Assis, do PSOL. Havia também duas candidatas negras à vice-prefeitura e elas disputarão o 2º turno, Olívia Santana (PCdoB), na chapa do PT, e Célia Sacramento (PV), na chapa do DEM. Duas mulheres negras nesta posição são reflexo da abertura de espaço que a temática racial tem forçado, há muitos anos, na agenda política da cidade do Salvador. É indicativo para todo o país.

As mulheres se candidataram mais e obtiveram sucesso maior do que em pleitos passados, embora os partidos políticos ainda resistam a cumprir a lei dos 30% do preenchimento de vagas para as mulheres. Minas e São Paulo são os estados que mais elegeram prefeitas, 71 e 67, respectivamente. A seguir, BA (64), PB (49) e MA (41). Três Estados do Nordeste entre os cinco primeiros lugares.

Que esses números tímidos sejam sinal de que estamos aprendendo com Ruanda, que depois do massacre de 1994, tem escolhido mulheres para cuidar do país no Parlamento. O exemplo da Presidenta Dilma é motivador. A principal mandatária do país cercou-se de mulheres na constituição do time que a assessora no primeiro escalão e continua trazendo outras para a gestão. Diferente do que fizeram Erundina (1989-1992) e Marta Suplicy (2000-2003), ambas eleitas para a prefeitura de São Paulo. Marta, por exemplo, quando indagada sobre a ausência de mulheres no primeiro escalão, chegava a afirmar que estava tudo certo, pois o posto principal da gestão da cidade era ocupado por uma mulher, ela!

No campo LGBT tive conhecimento de duas vitórias significativas: a eleição da transexual Madalena, nome social de Luís Antônio Leite, para a câmara de Piracicaba, interior de São Paulo. Madalena é negra, tem 55 anos e estudou até concluir o ensino fundamental. Elegeu-se pela coligação PSDB-PRB. Em Florianópolis, Tiago Silva, um homem negro, gay, jovem (29 anos), filho de uma trabalhadora doméstica e nascido no morro do Mocotó, principal favela da capital, elegeu-se pelo PDT e foi o vereador mais votado da história da câmara municipal de Floripa.

Em São Paulo, chamou-me atenção a candidatura do ex-ministro Orlando Silva. Vi gente nossa batendo muito duro nele e me perguntava, será que essas mesmas pessoas bateriam em outros de perfil racial radicalmente oposto, mas de características ético-políticas semelhantes? Que características? Não sei! Os detratores dele é que sabem. Só sei que muita gente tinha interesse em derrubá-lo do Ministério do Esporte, em esvaziar um líder negro emergente de um partido de esquerda pouco arejado, marcado pela não promoção de sua base negra. Sei também que mesmo com toda a visibilidade gerada pelo posto de administrador da Copa, uma raposa do PSDB paulista, ao encontrar Orlando num estádio de futebol, apresentou-o ao enteado assim: “este é o Nelson Gonçalves, ministro do esporte.” Sei ainda que aparecer abraçado ao Mano Brown na reta final da campanha não o elegeu.

Afora isso, surge dessas eleições mais um candidato a grande mobilizador/manipulador de massas, Eduardo Campos. Se for inócuo como Ciro Gomes, vida que segue, mas se for capaz de decolar como Collor, Aecinho, Eduardo Paes e ACMezinho, é de preocupar. 
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