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9 de out de 2012

O livro de Capulanas, Cia de Arte Negra




Por Cidinha da Silva
(Em) Goma dos pés à cabeça, os quintais que sou é resultado coletivo da reflexão de vários produtores de arte envolvidos e liderados pelas quatro artistas da Cia Capulanas de Arte Negra.

Na apresentação do livro e do trabalho, Adriana Paixão, Débora Marçal, Flávia Rosa e Priscila Preta nos contam que o espetáculo Pé no quintal, documentado no livro, “veio de forma singela desmistificar o nosso ‘pé na cozinha’ e colocá-lo onde toda nossa cultura foi desenvolvida, nos terreiros de saberes, espaço comum a todos, lugares de sambas e versos, cantos e passos e das grandes rodas de jongo que cantavam nossa liberdade.”  A perspectiva do grupo é de realizar o que chamam de deselitização da arte e voltar à ancestralidade negra.

Proposta consistente e de leme seguro que as fez visitar cerca de 30 quintais, incluindo alguns em Maputo, Moçambique. A proposta de levar a arte feita por mulheres negras de periferia para as periferias de São Paulo floresceu como se vê nos depoimentos contidos no livro e DVD encartado.

O relato pessoal de cada uma das integrantes da Cia Capulanas permite-nos conhecer um pouco do lugar de onde cada uma emite a voz e como essas vozes, em conjunto, definem o canto do grupo.

Dentre as reflexões dos colaboradores, destaco a dos diretores de teatro Julio Moracen e Lucrécia Paco, que muito acrescentam a quem quer conhecer/compreender premissas e práticas do teatro negro.

O livro (Em) Goma é a documentação do processo. Embora pareça que Capulanas valorize muito mais a reação de crianças que, depois de assistirem/participarem do projeto Pé no Quintal, passaram a se referir às Pombagiras como rainhas, elas sabem que o registro em livro e DVD é também fundamental para construir a memória do caminho estético eleito.

Mas, o que mais me toca, de fato, é o entendimento do potencial transformador da arte,  vivo e revitalizador, demonstrado por Capulanas. É mais uma cena do forte movimento de teatro negro levado a termo, por elas, pelos Crespos, Quizumba e Coletivo Negro, todos em São Paulo. Trabalhos e propostas artísticas que têm à frente jovens negros, sem líderes mais velhos e consagrados, dos quais sejam meros seguidores. Essas dançantes-atrizes de Capulanas são as timoneiras do barco, ícones para outras mulheres jovens, espelho para as mais velhas. 
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