Bate-papo no PAF I da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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15 de jan de 2013

Ainda sobre a educação das crianças negras e do Morro em Lado a lado



Por Cidinha da Silva

Como esperado, o mocinho Edgar, um gentleman, ao saber que Isabel construirá uma escola no Morro da Providência oferece-se para contribuir com dinheiro. Frustrante é a motivação, ele quer ser sócio da escola para que Laura, seu grande amor, tenha como realizar o sonho de lecionar, impedido pelos preconceitos da sociedade carioca de então contra as mulheres divorciadas.

Pensei que o mocinho bom caráter quisesse ajudar por compreender seu papel de branco, socialmente bem situado, endinheirado, bisneto, neto e filho de escravistas, ou seja, responsável direto pela situação deplorável do Morro e das crianças de lá. Pode ser artifício da trama, tomara, mais um motivo para um desentendimento futuro entre Edgar e Laura. Ela, magoada com a atitude dele, dirá: “mas, Edgar, você fez sociedade com a Isabel só para que eu tivesse um lugar para trabalhar? Que motivo torpe, Edgar!” E ele dirá: “não, meu amor, quero dizer, no começo foi isso, mas à medida que fui vendo a escola florescer, a animação da Isabel, do Zé, até do Guerra, eu compreendi que tinha o dever moral de oferecer algum dinheiro para prover a educação daquelas crianças. Eu compreendi, Laura, que nós, os herdeiros da Casa Grande, temos a obrigação de promover reparações para os negros.”  E Laura, chorando, aceitará as desculpas de Edgar e ficará feliz com o crescimento do amado. E os dois se beijarão apaixonados para selar a reconciliação!

É novela de TV, não é programa didático, assim é preciso ter alguma paciência, às vezes o pessoal dá dois passos atrás para dar um à frente, faz parte da dinâmica dos capítulos, da criação de certo suspense.

Mas, fiquei mesmo apavorada com o discurso de Isabel para justificar a apresentação de dança em benefício das crianças da roda dos desvalidos. Tive medo de que meus amigos desconfiados dos autores da trama tenham  razão, foi muito pró-branco aquele texto. Será que caminhamos para o discurso novo-velho da integração racial, da harmonia entre brancos e negros, dos negros que precisam não ter medo de conviver com os brancos e de freqüentar os lugares deles?

Torço para que não seja assim, porque, se for, Lado a lado perderá a graça e a chance de revolucionar a teledramaturgia sobre o negro no Brasil.

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