Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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27 de jan de 2013

Sobre a Copa Africana de Nações



O tempero africano. (Crônica de um Peladeiro)
por Michel Yakini

"Estive acompanhando alguns jogos da primeira fase da Copa Africana de Nações, que acontece na África do Sul, até agora, assisti: Gana x Congo, Etiópia x Zâmbia e Costa do Marfim x Togo. 

A seleção de Gana é velha conhecida, com seu craque: Ashamoah Gyan, figurinha carimbada das ultimas copas, mas dessa vez não conta com Prince Boateng, do Milan, que pediu dispensa da seleção, infelizmente.

Costa do Marfim talvez seja a seleção mais completa da África, a maioria do time joga em equipes de expressão e tem um toque de fino trato.

Togo depende do craque Adebayor, capitão, maior nome, mas que já não tem fôlego pra carregar o time nas costas.

O restante é novidade. A gente pouco sabe sobre o futebol africano, tirando os jogadores que atuam na Europa, as seleções que disputam as Copas e algum Mazembe no caminho (pesadelo colorado!), o conhecimento é mínimo.

A mídia brasileira cobre mal o campeonato continental, e malemá mostra os gols. Os confrontos são equilibrados e a maioria dos jogos são decididos no fim, adrenalina a mil.

A originalidade é uma marca do campeonato, seja pelas danças na hora de comemorar (ato sagrado nos gols), pelos cabelos trançados de vários estilos e pela torcida que é um espetáculo de cores e empolgação.

É difícil saber quem está perdendo ou ganhando, pois o mau humor não faz parte das arquibancadas. Um capítulo a parte.

Alguns jogadores chamam mais a atenção pelas manias, como o goleiro Muteba Kidiaba, do Congo, famoso por seus pulinhos sentado nas comemorações (pesadelo colorado!) e pelos nomes: como meia Mulenga, de Zâmbia, e os marfinenses: Maestro e Bamba. Seria interessante vê-los jogar no Brasileirão com esses nomes-adjetivos.

Apesar do nível técnico com surtos de amadorismo, consegui assistir com mais entusiasmo do que as partidas disciplinadas e robustas do futebol alemão e inglês, essas não consigo ver mais que 15 minutos.

Os jogadores africanos são fortes, por natureza e não por injeções, mas tem ousadia, gingado no corpo, mesclam velocidade e habilidade sem serem mecânicos, e lembram muito o nosso futebol, ou será que nosso futebol lembra muito o estilo africano?

Me recordou a Copa América, em tempos remotos: jogadores mais soltos, errando, acertando, atacando, arriscando, sem as retrancas bombadas da terra do gelo. Kidiaba, por exemplo, carrega um misto de goleiros antológicos, como: René Higuita (Colômbia), Jorge Campos (México), Carlos Montoya (Boca Juniors) e Luis Chilavert (Paraguai).

O jogo-duro também é parecido, envolve vontade de vencer, raça, até sangue, pois o futebol sul-americano, assim como é o africano, é mais emoção e vontade, mas agora que todos os países importam craques e pernas-de-pau pra Europa, tudo tem ficado mais comportado, burocrático e chato.

Tomara que a Copa Africana, não se torne uma filial do padrão europeu, e continue na contra mão do espetáculo gelado, programado e insosso que tem se tornado o futebol no resto do mundo."
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