Cor e Magistério, de Maria Lúcia Rodrigues Müller

(Por Mànya Millen e Rachel Bertol, em O Globo). "Em 1937, cismado com “o sangue negro ainda concentrado de muita branca ou morena bonita do Brasil”, o médico Afrânio Peixoto sugeriu um jeito de determinar os percentuais dessa mistura. Bastaria medir o “circuito maior das nádegas”, multiplicá-lo por cem e dividi-lo pela altura dos indivíduos examinados. O criativo “índice nático” proposto pelo professor não chegou a vingar, mas o pensamento racista de Peixoto estava longe de ser uma excentricidade nos círculos intelectuais da época. No recém-lançado A cor da escola: imagens da Primeira República (EdUFMT/Entrelinhas), a pesquisadora Maria Lúcia Rodrigues Müller tenta mostrar como a difusão no Brasil de teorias científicas sobre a inferioridade dos negros motivou a criação de uma política de “branqueamento” das escolas da rede pública no início do século XX. Para isso, ela se baseia em documentos e imagens reunidos em dez anos de pesquisa em acervos do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso (onde mora)".
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