Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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26 de jun de 2008

Grace Jones de volta à cena do disco

(Por:*Alisson Göthz) "Grace Jones está de volta. Na onda dos artistas dos anos 80 que resolveram ressuscitar de uma hora pra outra, Grace talvez seja o nome mais interessante, pelo menos como personagem. Seu retorno se dará com Corporate Cannibal, álbum que sai este ano e foi produzido por Ivor Guest, com participações especiais de Sly & Robbie, Brian Eno e Tricky. O CD será lançado oficialmente na festa Secret Garden Party; porém boa parte de seu material foi incluída no setlist de sua apresentação semana passada no Meltdown Festival deste ano, desta vez em um show completo só dela, sob curadoria do Massive Attack. A apresentação recebeu excelentes críticas da imprensa e público, provando que Grace está de volta em plena forma, e aumentando ainda mais a espectativa pelo novo trabalho. Seu último trabalho em estúdio saiu em 1989, e desde então Grace tem se dedicado mais às apresentações ao vivo. Ano passado ela fez uma incrível aparição ao lado de Jarvis Cocker também no Meltdown de Londres, cantando "Trust In Me". O sucesso foi tanto que ela se animou e resolveu entrar em estúdio para gravar um álbum novo. Tanto o vídeo de Corporate Cannibal, dirigido por Nick Hooker (que já dirigiu vídeos para o U2 e Billy Corgan), quanto a música "This is Life" já estão disponíveis no YouTube, veja: Clipe de Corporate Cannibal. Tendo iniciado sua carreira ainda nos anos 70 como modelo de alta-costura, Grace se viu apadrinhada pelo artista pop Andy Warhol e o grande produtor da era disco Tom Moulton, que a colocaram nos palcos do famoso Studio 54 e a transformaram em diva máxima da cena discotheque de New York. Grace se apresentava no Studio 54 cercada de homens musculosos devidamente acorrentados por ela. Não contente, ela própria entrava numa jaula e bancava a pantera negra. Com uma voz de duas escalas e presença marcante, Grace sobreviveu ao final da disco e nos anos 80 se tornou uma das mais populares cantoras pop (com hits como "Slave To The Rhythm" e "Love Is The Drug") e também fez sucesso como atriz (em filmes como Conan, O Barbaro e 007 - Na Mira Dos Assassinos). Foi também nos anos 80 que Grace lançou seus melhores trabalhos, misturando reggae, rock e um pouco de eletrônica. Durante esse período, foi produzida por importantes nomes da indústria como Trevor Horn e Nile Rodgers. Seus discos Warm Leatherette (1980) e Nightclubbing (1981) são considerados por muitos como dois dos melhores discos da década. Neles encontramos versões de artistas como Iggy Pop & David Bowie, Roxy Music, The Normal e até Astor Piazzolla. O visual super agressivo e masculinizado de Grace é uma das marcas registradas dos anos 80, tendo ao lado artistas como Annie Lennox e na "outra ponta" Boy George. Produzida pelo artista francês Jean Paul Goude (que assinava seus looks e vídeos) suas apresentações ao vivo eram grandes acontecimentos - o DVD A One Man Show captura Grace em total plenitude. Goude, que na época era casado com Grace, usava e abusava dos contrastes raciais e sexuais, transformando a imagem de Grace em algo mais poderoso ainda. Grace - que virou sexagenária em maio - já veio para o Brasil algumas vezes nos anos 90. A primeira, em São Paulo durante a final do extinto concurso de modelos "The Look Of The Year" da agência Ellite, foi um sucesso. Já na segunda vez, Grace não agradou muito a platéia, que teve que aguardar quase duas horas de atraso da diva que se "preparava" no backstage, deixando muita gente nervosa, mas compensou depois com um histórico show em 96 na Metropolitan, no Rio de Janeiro. Desde então outros empresários vêem tentando trazê-la novamente, mas acabam dando de cara com algumas exigências meio extravagantes, como cachês incompatíveis e camarins cheios de comida japonesa e champagne caro. Grace também não pensa duas vezes antes de armar barraco em aeroportos - foi recentemente presa em Londres por se recusar a pegar o ônibus que a levaria até a área de desembarque junto com os outros "pobres mortais" - e também em programas de TV: a "surra" que ela dá no apresentador Russel Harty ao vivo foi eleita em 1996 como um dos mais chocantes momentos da TV britânica. Mas toda diva tem direito de ser um pouco difícil mesmo. Numa época em que tantas bandas e cantores surgem do nada com mais pose do que conteúdo, é muito bom ver Grace - que tem carão suficiente para dar uma boa surra em quaquer bandinha pretensiosa - aparecendo de novo.Brincando um pouco com a famosa frase de Andy Warhol: "Grace is STILL Perfect." (*Alisson Göthz - live from vlad dracul's castle, romania)
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