Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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11 de jun de 2008

Sobre o Tambor

(*Por Glória Azevedo) "Após a leitura do mais novo livro de Cidinha percebo que sua narrativa é meio armadilha. Por detrás de histórias curtas, humor sutil, ironias leves, o que se percebe é que no livro há uma solidão que caracteriza todos os personagens e suas mais diversificadas relações: afetivas, sociais, urbanas, notívagas. A narrativa de Cidinha trata de seres miúdos, não cria heróis, mocinhas, bandidos. Seus personagens são líricos porque são comuns, porque nada têm além de suas vidas triviais, cotidianas. Não são artistas, não são invenções. Eles somos nós, são os anônimos que encontramos nas ruas, nos ônibus, nos bares e casas de diversões feitas para quem trabalha, come, dorme, mas também sonha. Talvez por isso, a leitura de Você me deixe, viu? Eu vou bater meu tambor! crie em nós uma certa intimidade risonha e delicada com cada personagem. Porque eles se apresentam como somos: solitários, em busca de afetos e companhia e ao mesmo tempo engraçados. Cidinha brinca com eles e por extensão com seus leitores ao tirar o falso glamour da existência. Em cada conto parece que encontramos um amigo, um vizinho, alguém que conhecemos, ou somos nós mesmos: humanos, patéticos, humorados, frustrados, vencedores, felizes, sós. Bater o tambor representa a capacidade de sair, de libertar-se, de buscar, mesmo que isso signifique voltar solitário. Após a leitura final, eu fechei o livro sorrindo e me dizendo;- vou bater meu tambor, ora, ta pensando o quê?” Mas eu sei, está lá no livro: o que resta muitas vezes é a solidão, acompanhada de uma boa dose de bom humor". Glória Azevedo é doutoranda em Literatura Brasileira pela Universidade de Brasília- UnB e mestre em Literatura Brasileira também pela UnB. Professora de Literatura Brasileira na Universidade Federal dô Tocantins- UFT, escreve poesias e contos aos quais chama de "exercícios voluntários de solidão involuntária". É editora do blogue www.orisodemedusa.blogspot.com
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