Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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14 de jun de 2008

Mais sobre o Tambor

(Por: Raphael Salomao Khede) "Oi Cidinha, Tudo bem? Queria te falar da minha leitura do Tambor. Primeiro gostei do titulo e da capa e dos desenhos tambem,que complementam os textos. Achei um livro amargo,da amargura de que é feito o mundo em que vivemos :mais "liberdades",tecnologias,progresso,lazer.......e mais solidão,incertezas,desatençoões,ansiedades,pressa,stress..... Seu texto reflete isso,até mesmo no seu caráter fragmentário,mas que é composto como um quadro,formado por vários elementos, todos essenciais.Achei sua abordagem ao tema do relacionamento gay,lésbico ou mesmo hetero, sensível e inteligente :contundente.Pois,qual leitor nao vai se reconhecer em pelo menos(mas creio eu em mais de um) um conto? Gosto do jeito como voce une as palavras,seguindo um ritmo,uma assonância,uma gíria, ou um provérbio,me lembrou alguma coisa de João Antônio,sei lá(ele tambem tinha uma busca muito grande pelo ritmo;qual escritor nao tem,se DostoiévsKi lia em voz alta todos seus textos,logo apos tê-los escrito?)mas voce é ainda mais direta,seca e concisa do que ele.Com poucas pinceladas, voce consegue construir cenas coloridas,uma diferente da outra. Em alguns casos a amargura deixa espaço a um riso esporádico ou satírico,mas na maioria das vezes, percebo que você esta falando de uma dor,dor de mulher negra que vê e vive essa nossa sociedade :"Nao tem alegoria para minha tristeza.Eu sou só dor".Essa frase demistifica,junto a todo o conto que mais parece um poema,e talvez é o que eu mais goste,toda a "alegria" do samba,do eterno país do carnaval,das mulatas dos requebros febris,do lugar aonde tudo é oba-oba e sempre se dá um jeitinho.Achei esse conto cortante,afiado como uma faca necessária para cortar nossas hipocrisias escondidas e nossos sorrisos de chumbo. Ah, a música de Teresa Cristina e Argemiro tambem é linda"! *Raphael em mestrando em literatura brasileira na UERJ.
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