Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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7 de set de 2012

Vida de gato




Por Cidinha da Silva

O gato se enrosca no pelo da gata preta, a quem há muito espreitava. Faz juras de amor, exibe dotes de cantor e de atleta, finalmente a conquista. Ela se delicia, mas não perde de vista os projetos próprios.

Um dia a gata é aprovada em concurso público, passa a viver em outro Estado. O gato se frustra. Namorar à distância é caro, exige mais dedicação ao trabalho. Ele não gosta de trabalhar. A gata, a princípio, desconsidera a falta de empenho,  visita-o com freqüência, mas o trabalho passa a exigir dela mais e mais, e o gato não se movimenta para vê-la.

Entrementes, o gato preto olha para todos os lados à procura de uma parceira menos senhora de si. Encontra uma gata mestiça, mansa, nem tão exigente. Habitante da mesma cidade parece disposta a amá-lo. Incondicionalmente, como ele precisa. Conquista a gata nova e esparrama-se em seu sofá. Nada conta à gata preta, mas esta descobre a deslealdade do gato pelo correio felino e manda-o pastar.

Humilhado, ele pensa vingar-se com os tons mais claros escolhidos no cartel de cores. Entretanto, a gata mestiça, à medida que o vai conhecendo, conclui que trabalhar não apetece ao gato. No histórico recente, pulou do futebol para o rap, flertou com o funk e agora é pagodeiro. Sempre com o sonho de estrelar uma edição da Caras dos Felinos!

No pagode conhece a gata ideal. Preta, gringa e bem sucedida. Nem dá adeus à outra gata e conquista a gata nova. Ele é  o príncipe, por quem ela ansiara toda a vida.

Os dois namoram como gatos no cio. O esperado, na idade fértil dela acontece, gatinhos à vista.  Ela pensa que não pode viver sem ele e agora com um filho, formarão uma família. Outro sonho realizado. Precisam ficar juntos. Cumpre levá-lo para a Gringolândia.

No começo, doces são os planos e insaciável o sexo. O gato preto, encantado com o mundo gringo, precisa de tempo para adaptar-se. Ela compreende. Nesse intervalo, o gato não trabalha, estuda gringolês pela TV. Aguarda que reconheçam seu valor de gato especial.

Nasce o primeiro herdeiro e há notícias de que a gata gringa gesta o segundo. Em silêncio desesperançado, ela observa, reiteradas vezes, o gato amado rejeitar a ocupação de caça-ratos, que poderia  ajudá-la a comprar a ração das crias.

Ele, com dois gatinhos novos em casa, dá-se conta de que as mordomias de gatão mimado estão diminuindo. A disponibilidade da gata para o sexo não é a mesma e ele já estuda formas de miar em outros telhados. Está à espreita de uma gata branca, desprezada pelos gatões tipo alfa do pedaço. Haja o que houver, está decidido a fincar garras na Gringolândia.
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