Sobre-viventes! Uma literatura banta!

Sobre-viventes! Uma literatura banta!
Com debate aberto ao público a escritora mineira Cidinha Silva lança livro de crônicas no Recife Cidinha Silva partilha com o público recifense nesta segunda, 30 de maio, às 18h30, na sede da ONG SOS Corpo as crônicas do seu mais recente livro: Sobre – Viventes!, Pallas, 2016. Este é o sexto livro de crônicas e o nono da carreira da escritora que escreve prosa, poesia, dramaturgia, ensaios e é colunista dos portais Fórum, Diário do Centro do Mundo e Geledés. Cidinha é também escritora blogueira publicando com regularidade em cidinhadasilva.blogspot.com.br. Em posição quilombola de observação do mundo. Assim observa e percebe, assim escreve Cidinha Silva. Prestes a completar 10 anos de carreira, com Sobre – Viventes! a escritora tem viajado pelo país partilhando, em lançamentos movimentados e permeados por diálogos com o público, as crônicas do seu mais recente livro. Estas, que têm força em si, ganham em potência no encontro escritora – leitor(a). Auto definida como “escritora politicamente posicionada”, Cidinha parece não se furtar ao debate, talvez pela clareza que carrega sobre o que quer provocar e refletir com seus escritos. Assim será no Recife, logo mais, quando recebe o público em encontro mediado pela professora da UFRPE, Denise Botelho, líder do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação, Raça, Gênero e Sexualidades Audre Lorde, GEPERGES. Sobre – Viventes! é composto de 41 crônicas que formam um livro de fôlego: pela abordagem de temas densos, sem dúvida, mas pela mistura desses a outros que permeiam o cotidiano e que têm no humor (cáustico, irônico...) um forte componente. Gênero, sexualidade, racismo são tratados tendo como viés a perspectiva das africanidades. Também são tematizadas no livro as manifestações de junho de 2013 e a mídia brasileira – foco do olhar crítico e problematizador da escritora, neste e em outros trabalhos, para quem a hegemonia deve ser questionada e muito bem refletida. Tocando no universo dos afetos, em Sobre – Viventes! há uma crônica dedicada aos bares de Belo Horizonte, cidade da autora, carinhosamente retratados em “Miudezas de BH, capital brasileira dos bares”. O início dessa crônica já nos dá o gostinho e o tom da escrita de Cidinha: “os bares da minha terra são pródigos em esquisitices, não só em comida de boteco. Você entra em um e está escrito 'é proibido ficar com agarramento nas dependências desse estabelecimento!” Se o livro aparece como uma miscelânea de temas, não dispersa atenção, foco e gosto pelo que se vai lendo. Crônica a crônica, a diversidade das situações aos poucos vai deixando claro a quem lê: posicionar-se não é escrever sob rótulos. É, antes, uma tomada de decisão pelas visibilidades, através da vocalização e expressão pela escrita, de sujeitos, lugares, conjunturas... Todos têm nomes, são presenças e visibilidade nos livros de Cidinha Silva. Escritora. Mulher. Negra. Que partilha uma escrita universal a partir do seu lugar de fala-pertencimento e de olhar o mundo. Sobre a Escritora: Cidinha Silva atualmente vive em Salvador. Recife é cidade que já a acolheu e para qual tem voltado algumas vezes. Trazida pela literatura, já lançou outros dos seus livros aqui. Sempre desejou ser escritora, desde criança inventava histórias e na adolescência começou a escrevê-las. A escrita literária como exercício profissional foi iniciada em 2006, com o livro de crônicas Cada tridente em seu lugar. É prosadora e dramaturga. Tem nove livros de literatura publicados. Possui centenas de crônicas, ensaios e artigos de opinião publicados na WEB, em portais, blogues profissionais diversos e principalmente no blogue pessoal http://cidinhadasilva.blogspot.com.br/ e na Fanpagehttps://www.facebook.com/cidinhadasilvaescritora. É colunista dos portais Fórum, Diário do Centro do Mundo e Geledés. No campo da dramaturgia escreveu Sangoma: saúde às mulheres negras (co-autoria com Capulanas Cia de Arte Negra, encenada em 2013) e Engravidei, pari cavalos e aprendi a voar sem asas (encenada por Os Crespos, 2013 a 2015) e Os coloridos (espetáculo infantil encenado por Os Crespos em 2015 e 2016). Como ensaísta organizou:Africanidades e relações raciais: insumos para políticas públicas na área do livro, leitura, literatura e bibliotecas no Brasil, com a participação de 48 autores e autoras em 403 páginas (2014). Anteriormente foi organizadora de Ações afirmativas em educação: experiências brasileiras (Summus, 2003), um dos 10 primeiros livros sobre o tema publicados no Brasil. É doutoranda no Programa Multi-Institucional e Multidisciplinar em Difusão do Conhecimento – DMMDC, na Universidade Federal da Bahia – UFBA, onde pesquisa a tensão africanidades/relações raciais X racismo institucional nas políticas públicas para o livro, leitura, literatura e bibliotecas no Brasil (2003-2016). Serviço O que: lançamento do livro Sobre – Viventes! Cidinha Silva. Presença da escritora de debate com o publico mediado professora da UFRPE, Denise Botelho, líder do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação, Raça, Gênero e Sexualidades Audre Lorde, GEPERGES. Quando: 30 de maio, segunda, às 18h30. Onde: Sede do SOS Corpo. Rua Real da Torre, 593. Madalena. Recife – PE

Postagens populares

Visualizações de páginas da semana passada

Google+ Badge

Translate

5 de dez de 2012

O homem que falava javanês


Por Cidinha da Silva

Ouvi um gestor público afirmar que em sua gestão, os programas de conversas de escritores com o público foram cancelados, porque, ao cabo, isso não forma leitores. Ademais, aquilo que os escritores têm de melhor a dizer, está dito nos textos literários.

Lembrei-me imediatamente de um salão do livro em que me perguntaram o que seria  a tal formação do leitor. Para o inquiridor, isso daria a ideia de um processo com início, meio e fim. A pergunta me pegou na curva, nunca havia refletido a respeito, principalmente nos termos de um processo fechado. Mas, quando ouvi o gestor, voltei a pensar que os sentidos até então pensados por mim para a formação de leitores fazem sentido.

A mim, em particular, a assertiva do gestor é aplicável. O melhor daquilo que digo é vocalizado por minha voz literária, mas, que esse motivo não me impeça de ter contato com o público, principalmente via programas e projetos que remunerem meu trabalho. Também não quero perder a chance de mediar, por momentos curtos, a leitura de quem aprecia minha produção, de contar meu processo criativo, de discorrer sobre particularidades desse texto ou daquele. De mostrar o meu ritmo da escrita, minha cadência textual.

Entretanto, especulo o que haverá por trás da afirmação peremptória do gestor. Fico imaginando ali uma guerrinha suja entre escritores canônicos e para-canônicos (aqueles que aspiram sê-lo e julgam que, para alcançar o objetivo, devem negar o desejo, bem como atacar os canônicos). Fogueira de vaidades e labaredas de interesses multiplamente questionáveis.

Intuo  que escritores-moradores da torre de marfim façam cara de enfado quando em contato com o povo, que não saibam dialogar, que o ar os sufoque, tão acostumados estão ao bolor. Por outro lado, são esses os autores convidados para revestir de prestígio os eventos literários.

Michael Yakini, em mesa que dividimos na UNICAMP recentemente, apresentou o trabalho realizado pelo Coletivo Elo da Corrente e sua preocupação com a formação de leitores. Quando verifico que este é um tema para o Michael, ele continua a fazer sentido para mim.

A expressão do gestor reforçou o sentimento de que o ator mais fraco do aquecido mercado editorial brasileiro continua sendo o autor, a autora. Prossegue revestida de desimportância a figura da pessoa que escreve, sem a qual a obra literária não existiria. O autor! A autora!

Postar um comentário