Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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7 de dez de 2012

Sobre clubes, igrejinhas e assemelhados!



Por Cidinha da Silva

Só compreendo a ausência de Grace Passô de uma programação como a de Nova Dramaturgia da Melanina Acentuada por dois motivos: primeiro, caso convidada, Grace, estrela singular na geração balzaquiana de dramaturgos e diretores brasileiros, não tenha se interessado em participar. Segundo, se, interessada, tenha faltado espaço na agenda. Afora isso, qualquer outra justificativa para esta lacuna é cabotina!

É a mesma lógica para aceitar a ausência de Ricardo Aleixo e Elisa Lucinda da Antologia Literatura e Afrodescendência (UFMG, 2011). Só o desejo deles de não-participação é plausível.

As igrejinhas não estão restritas ao velho eixo conhecido. Construímos nosso próprio nicho à margem do eixo. Um proto-eixo, digamos. E enquanto não houver respeito e reconhecimento pelo fazer artístico da outra pessoa, a despeito de que ele seja maior que o nosso, e/ou divergente dele, editaremos mais do mesmo (aqui a expressão é mais do que um clichê) e o travestiremos do novo.

Um exemplo? Outro dia, enquanto trabalhava com um grupo de jovens artistas negras, uma delas leu para o coletivo, indignada, um e-mail apressado que dizia mais ou menos assim: “oi fulanas, tudo bem? Estou com uma ótima oportunidade de trabalho para vocês se apresentarem com o espetáculo do avestruz, preciso dos contatos de vocês.” Ao que minha colega respondeu: “obrigada pelo contato, mas parece que sua cabeça está dentro do buraco e você atirou a esmo, errou o alvo. É outro, o grupo de artistas negras (muito bom, por sinal) que encena o espetáculo do avestruz. O nosso é um trabalho sobre poemas de um autor negro dos anos 50/60.”

Insistimos em criar clubinhos, sempre! E temos o direito de fazê-lo, por suposto. Contudo, não pega bem esse proceder, quando trabalhamos com dinheiro público e pretendemos a construção de mostras abrangentes. Contudo, não deixa de me surpreender a solenidade e a desfaçatez aplicadas para ignorar a produção das mulheres. Mesmo conhecedora deste quadro, se você não sabe quem é Grace Passô, lamento! Procure saber!

Foto: Grace Passô. Atriz, diretora e dramaturga. A artista já foi premiada com um Shell de Teatro (2006) e um prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) (2005) pelo texto de "Por Elise", montagem da qual é atriz, diretora e dramaturga. O espetáculo foi responsável pela criação da companhia Espanca!, parceria dela com outros quatro atores, em Belo Horizonte. "Por Elise" (2005) integra a trilogia do grupo, que inclui "Amores Surdos" (2006) e "Congresso Internacional do Medo" (2008). 

 

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