Bate-papo na Biblioteca Alceu Amoroso Lima, dia 14 de maio de 2017

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11 de dez de 2012

Que o amor para sempre viva, minha dádiva!


Por Cidinha da Silva

Minhas candidatas estão na final! Késia Estácio é diva, diva, diva, em qualquer lugar, cantando todo tipo de música e com qualquer roupa. A Késia rocky in roll foi divina. Thalita Pertuzatti precisa ser convidada por Roberto para interpretar suas canções. Vi pouca gente até hoje, com alma tão Robertiana. E, como Lulu, eu a escutaria cantar um catálogo inteiro. Por fim, Maria Christina, essa cantora deliciosa, tão contida no gesto, tão expressiva no rosto e na voz. Confesso que só comecei a olhá-la com olhos de ver durante a disputa com Ellen, quando a sabedoria de Carlinhos se revelou (mais uma vez). E prestei atenção porque foi uma batalha fraterna, verdadeira, como me parecem ser os beijos de Michelle e Obama.

Meus candidatos se foram. Júnior Meirelles cantou uma das canções difíceis de Djavan (Lilás), que, embora dançante, não tem apelo popular. Primou pela qualidade e perdeu no gosto do povo. O técnico Daniel foi coerente ao salvar o sertanejo Danilo, mesmo Júnior tendo cantado in-fi-ni-ta-men-te mais. Precisamos salvar os nossos. OSócio também pecou na escolha da música ou pecaram por ele. Sim, Cassiano é membro da aristocracia da música Soul brasileira, mas faz muito sentido para nós, amantes e conhecedores desse universo, não para o povo que precisava salvá-lo e que já deu mostras do quanto gosta de gritaria. Além disso, no time do Lulu restaram três candidatos muito fortes, eu nem consegui votar, porque queria assistir a apresentação de Késia, Maria Christina e do próprio OSócio.

E o Oceano Oléria chegou! Triunfante no verde da Jurema, em abertura luxuosa de berimbau e pandeiro. Fina, chegou louvando Jackson, habitante de nossa memória coletiva, o ancestral do rap brasileiro, aquele que modernizou a música e só foi compreendido em sua magnitude décadas mais tarde. Ellen tirou onda, colocou a voz no naipe de metais, fez Bit Box, artefato digno da artilharia de Jackson. Foi MC contemporânea também para remixar o recado de Jair, fazedor de Slam, quando ainda não sabíamos o que era um Slam. Deixa que digam, que pensem, que falem. Deixa isso pra lá, vem pra cá, o que é que tem? Eu não tô fazendo nada, você também. Faz mal bater um papo, assim gostoso, com alguém? Foi tanta onda sonora que Itamar Assumpção, o mordaz, também pôs pimenta na interpretação.

Definir a cantora atlântica como negra, lésbica, feminista, candanga da Ceilândia... é tomar parte do todo-Ellen, que é poeta, atriz, compositora, filha amorosamente cúmplice da mãe, irmã e amiga querida, amante da amada. É também fundadora da Confraria das Pretas Poderosas. O caminho de Ellen é exuzilhado e ela brisa, desenvolta.

Ellen é nossa cantora. Nossa vez, nossa voz, rasgada e amorosa. Ellen é múltipla e polifônica. É soberana da Angola Janga das Águas! 
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