Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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15 de jul de 2007

Aconteceu no Rio de Janeiro!

Em São Paulo havia a velhinha de Taubaté. No Rio de Janeiro tem D. Mariana que não foi imortalizada entre os velhos de Copacabana da Carla Camuratti, até porque é moradora do Glória, mas é uma figura. Trata-se de uma senhora de oitenta anos, bem vividos, corpinho de sessenta e cinco, disposição e humor de quem nasceu para bem viver. Todo dia, às 15h30, a intrépida avó se prepara para ir à padaria buscar os pãezinhos do café da tarde. Escolhe a roupa, um batom que combine, passa o perfume leve que a acompanha há trinta anos. Chega pontualmente às 16h15 e espera os pãezinhos que ficam prontos às 17 horas. Padaria de bairro, sabe como é, tudo sai na hora marcada. Pega os pãezinhos e segue revigorada para casa. As duas netas que sempre a visitam, não entendem porque ela insiste em sair de casa para buscar pães. Afinal, para que serve o eficiente serviço de delivery, senão para encomendar pães pelo telefone e recebê-los na porta de casa? Em uma tarde preguiçosa de sexta-feira, Marianinha, a neta de dezessete anos, resolve acompanhar D. Mariana à padaria, não sem antes reclamar que saíam muito cedo de casa. Eram 16h08 e os pães só ficariam prontos às 17 horas. D. Mariana chega ao estabelecimento e é cumprimentada por todo mundo. Esgueira-se entre as mesas lotadas de rapazes de sungas coloridas, salpicados de areia, molhados do banho de mar. Sorridentes, cervejeiros, cheios de bossa. Um deles grita ousado: “Bela netinha, heim vovó!” ‘É, mas não é para o seu bico”, ela responde. A neta disfarça, olha para o rapaz galante e observa que é um tipão. Bonito, sarado. Se já não estivesse ficando com o Guto, bem que daria um jeito de passar o número do celular para ele. Sentam-se em um cantinho discreto e D. Mariana acerta o aro dos óculos escuros. Marianinha tira um livro da bolsa e a avó sorri compreensiva, pois sabe que a neta está se preparando com afinco para o vestibular. Faltam quinze minutos para as 17 horas e Marianinha, impaciente, pergunta: “Mas vovó, por que a senhora não usa o serviço de delivery? Fica aqui esperando o maior tempo para pegar esses pãezinhos. Ou por que a senhora não sai de casa mais tarde? Já estamos sentadas aqui há meia hora”. “Ora minha filha (passando os olhos pela bunda do gostosão mais próximo e pela profusão de peitorais, bíceps, adutores e outros glúteos ao redor), e você acha que eu iria perder essas be-le-zuuuu-ras?” “Vóooo!? (ilustração: Lia Maria)
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