Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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15 de jul de 2007

Tridentiando 3

"Agora devem ser umas 11 da noite. Acabo de terminar a leitura de “Cada tridente em seu lugar e outras crônicas”, este seu “primeiro rebento literário”, se posso chamá-lo assim... Me comoveu. Me incomodou. Risos surgiram nos meus lábios, lágrimas desceram dos olhos. Acelerou as batidas do coração... ao final de todas essas sensações, o sentimento era de paz. Convidar a paz pra dentro de si. Acho que essa paz é você quem passa. Não sei como seria se eu não a conhecesse, mas arrisco o palpite de que essa paz se apresenta também aos que não sabem qual o tom da sua voz, a entonação das palavras, o gestual (mínimo) do corpo da autora daquelas crônicas quando fala. Muitas coisas me encantaram na sua maneira (ou nas suas maneiras?) de contar histórias. O humor moderado, o bom humor insinuado, a ironia, “azeitada”. Como quando traz a imagem do “jacaré de protetor solar à beira da lagoa”, na crônica “Angu à baiana”. Ou no caso do cara que saiu com a colega da pós-graduação e que “só” a comeu para não ficar falado pelos corredores da universidade (“Papo de barbearia”). Foram muitas as cutucadas que senti em teus textos. Foram muitos os prazeres também. Amei a história da Domingas e a cunhada. Que delícia a maneira como é contada. “Mindinha”, “Inha”, “Arminda”. Que maneira de me comprazer... “O inusitado das histórias de bicho e gente”. A idéia de um pet shop a cada esquina é de doer. Esse “inusitado” passeia pelo livro... A literatura tem isso de bom: a possibilidade de passeios pela subjetividade, passeios pr um caminho apontado por outra pessoa, com a lupa dessa pessoa. Mas os olhos são nossos, né? Lembrei da frase do Exu Tranca Rua que “abre” o livro. Você joga luz em coisas dolorosas de se olhar. Alguns questionamentos me rondaram durante a leitura, mas sabia que não era o momento deles. O momento era de conectar-me com as sensações. Pros questionamentos, haverá os momentos posteriores à leitura. A leitura era o meu “depenar da galinha que vai servir de almoço”. Almoçar é o deleite, preparar o almoço é etapa necessária para a obtenção desse momento... Li em algum lugar que o objeto pode fazer com que um documentário seja bom, independente da proposta estética presente nele. Isso apareceu na minha leitura do seu livro. Eu tive prazer com experiências estéticas que vivenciei nele, mas também tive prazer-e-dor ao ser conduzida por diferentes assuntos, sem maiores avisos antes das “mudanças de rumo” dos seus textos. No decorrer deles, às vezes era a descrição de uma cena, às vezes, uma palavra o que me chamava a atenção. Em outras, muitas delas, foi que eu vi. O melhor, o que eu pude ver com a lupa que você carregava nesses caminhos. Nesses momentos, eu não pude detectar “proposta estética”, mas o objeto, o olhar para ele, enxergar o que me era oculto, me fascinou. É o caso de “Pessoas trans” e “Histórias da Vó Dita”, com o seu criterioso percurso pela obra de Maurício de Souza. Me fascinou também percebê-la nos textos. Perceber a presença dos muitos universos presentes na sua vida ali, reunidos. Nesse ponto, você tá mais pra mascate do que pra vendedor de porta-a-porta, né? (gostei muito de ter que parar pra pensar na diferença entre eles na história da família Silva Santos e os dicionários de capa dura...história de uma família brasileira – “dois contra o mundo” – mas que vem na contramão da continuação dada na música do Mano Brown – “mãe de um promissor vagabundo(a)”). “Historinha de São João”... A cena de abertura é primorosa. A história é gostosa, mas é dura de alguma forma... O “sorriso de quem troca dentes” me transportou no túnel do tempo... Senti cheiro de vinho quente, a batata assando na fogueira, pude até ouvir os estampidos dela. Acho que nenhum leitor escapa de viajar a alguns lugares internos ao ler esses textos... Difícil passar ileso por eles... O medo de tomar o elevador e ser discriminado(a), incriminado(a) de algo que não fez... Preto(a)s e branco(a)s olhando pra isso... A metáfora pra definir Belo Horizonte é um golpe de estilete no coração, e o que vem depois dela também... O título da história, “Poesia num ônibus de BH”... Pra mim, história difícil de nomear, fala de muitas coisas, as imagens são muitas... mas a que ficou pra mim foi a do móvel de madeira maciça que o sobrado herdou da casa grande e as histórias que “guardam” aquelas montanhas ocas... A história da Isabel Allende e a de Joel Zito, unidas, forte essa junção... Forte também a sua leitura delas... O choro foi inevitável...Choro de limpeza... Minha sensação é a de que são muitos lugares internos pra gente visitar... Que cada um deguste e degluta esses lugares. Apalpe, sinta o cheiro, seja perfume ou seja mal odor... Depois é o momento de “descansar o cavalo”, né? (“grande” Seu Marabô...). Obrigada pelas crônicas... Obrigada por reuni-las. Obrigada por “cada tridente”... (quase anônimo 5)
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