Bate-papo no PAF 3 da UFBA (Ondina, Salvador) - 13 de julho de 2017

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26 de jul de 2007

Salve Edimilson de Almeida Pereira!

Neste pôste semi-final de comemorações do primeiro ano de aniversário do Tridente, é hora de saudar meu querido amigo, Edimilson de Almeida Pereira. Poeta maior, homem de sensibilidade e generosidade ímpares, capacidade de trabalho amazônica e, agora, pai de uma pequena princesa das águas. Era menina, quando nos conhecemos. Ele também era menino, mas parecia daqueles que já nascem prontos. Santo velho, deve ser. Não sei em que medida a maturidade precoce trouxe soluções ou problemas à vida dele, temos uma amizade que não entra nesses meandros, mas tenho minhas desconfianças. É uma amizade de poucos e marcantes encontros ao longo de 18 anos, de admiração mútua - a minha, muito maior e fundamentada -, leitura dos textos, uma ou outra carta e conversas inscritas na história, na minha história. Ah... como me deliciei com seus primeiros livros de poesia, e com os outros, frutos de alentadas pesquisas sobre a cultura banto-mineira, "O mundo encaixado", "Assim se benze em Minas Gerais" e o mais recente, "Os tambores estão frios", sobre o Candombe. Edimilson escreveu o prefácio à segunda edição do Tridente. Como me senti feliz, agradecida e honrada. Quem quiser saber mais sobre o trabalho dele vá até o Portal LITERAFRO - www.letras.ufmg.br/literafro Por hora fiquem com o prefácio do Tridente e com as capas da obra poética reunida do Edimilson, publicada pela Mazza Edições. (foto Prisca Agustoni) A estrada é uma coisa, o caminho é outra por Edimilson de Almeida Pereira. "As relações entre literatura e história (apesar dos métodos específicos empregados na produção dos discursos de cada uma destas áreas) são tecidas no limiar de suas diferenças. Ou seja, no ponto em que os discursos evidenciam sua relatividade e permitem que ora o ficcionista abra clareiras para a análise do historiador, ora o historiador estimule a força criadora do ficcionista. Atraída por esse jogo, Cidinha da Silva, reconhecida pelos seus trabalhos de sociologia e historiografia, investe na literatura, urdindo uma textualidade na qual os conflitos e os diálogos entre fato e ficção representam grandes desafios ao seu processo de criação. A investigadora, empenhada em ressaltar a objetividade dos eventos, assume o risco de lidar com a relatividade própria do discurso de ficção. No livro Ações afirmativas em educação: experiências brasileiras (2003) o leitor reconhece a disciplina, a competência e o talento que deram a Cidinha da Silva argúcia para perceber os fatos e analisá-los a partir de diferentes perspectivas. Todavia, em Cada tridente em seu lugar, obra de ficção, o diálogo entre literatura e história se prenuncia e, não raro, retrai-se. Isso ocorre na medida em que a historiadora descortina belos e importantes temas sem que, no entanto, a ficcionista se aproprie inteiramente deles. A trajetória intelectual de Cidinha da Silva mostra sua opção por descer do mirante da história para estar entre as pessoas que fazem os fatos de uma outra história, silenciada porque pertencente aos menos favorecidos. Por isso, Cada tridente em seu lugar esconde núcleos grávidos de especulações estéticas e ideológicas. Algumas vezes bem aproveitados, esses núcleos resultam em narrativas abertas à discussão sobre o multiculturalismo da sociedade brasileira e às experimentações da criação literária. Cidinha da Silva – postada, à maneira do sociólogo Marc Augè, como um etnógrafo no metrô, ou seja, na esquina de sua cidade, na porta de sua casa para conhecer o outro que, agora, é o próprio sujeito – articula uma série de narrativas que não hesitam em alimentar-se de suas contradições. Porém, esse procedimento (que pode render excelentes exercícios de metalinguagem), às vezes, não se explicita como ação intencional da autora. A tentativa de Cidinha da Silva de costurar o conto e a crônica estimula, por um lado, o diálogo entre a ficcionista e a observadora. Nesse aspecto, no tom ligeiro da crônica se insinua a arguta investigadora de nossas demandas sociais. Por outro lado, esse diálogo não se aprofunda e contos instigantes (“seu marabô”, “dublê de ogum”,“domingas e a cunhada”) acabam por ter sua vitalidade ameaçada ao serem colocados na vizinhança de textos menos complexos. A indefinição da autora quanto a essas questões impede, por exemplo, que “licença aos meus que já foram” se desenvolva como uma grande narrativa vinculada ao universo dos cortejos, dos reinados de Congo e da estética banto-católica. Nesse texto, em particular, há personagens & dramas, paisagens & deslocamentos esperando para serem deslindados, ou enredados, numa inovadora saga de brasileiros. Em tempo, a epígrafe do livro, enunciada por Exu Tranca Rua, sugere que a dificuldade na resolução de um problema (como reconhecer a diferença entre caminho e estrada?) se impõe como o motor da vida. Em Cada tridente em seu lugar Cidinha da Silva impõe a si mesma o desafio de transformar as dificuldades em soluções para a sua escrita. Por isso, os seus embates com a escrita apontam, também, para as soluções que lhe permitirão vislumbrar o caminho literário (“é quando ocê escolhe uma estrada pra seguir e chegar no seu lugar”) que pretende percorrer".
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